domingo, 13 de março de 2011

ZÉ ROSA, um agricultor taquaritubense e limeirense exemplar !!!

Lá pelo início dos anos sessenta José Alves da Silva ( Zé Rosa como era conhecido por todos) veio para Taquarituba para trabalhar na Fazenda dos Van Paris de Limeira.

Encantado com o clima, o solo, e os preços baixos das terras, Zé Rosa comprou uma área de terras no bairro da Serrinha ou dos Gomes, uma gleba de terras que não chegava a 75,0 hectares, morou na propriedade e, após uns anos, comprou uma casa na Avenida 9 de Julho, próxima ao Grupo Escolar Trindade Evangelista.

Localizada na divisa de Taquarituba com Coronel Macedo esta fazenda serviria para expandir a cultura de laranjas na região. O proprietário foi atraído pela ausência de falta de água no solo e pelo teor de sólidos solúveis do suco das laranjas e a cor das laranjas produzidas na região.

Logo após sua vinda, entre 1963 e 1964, a região foi declarada zona limítrofe com suspeita do cancro cítrico e iniciado o levantamento dos pomares de todas as propriedades e terrenos do município de Taquarituba e Coronel Macedo.

A existência desse provável problema fez com que a Fazenda Citrosuco desistisse de implantar pomares na região. Mas José Alves Rosa, tendo visto o pequeno pomar existente de laranja pêra na fazenda do engenheiro agrônomo Oswaldo Castelucci, no bairro Matão em Taquarituba, e usando a experiência que já tinha de Limeira, começou a plantar 5.000 pés da variedade de laranja pera em sua propriedade.

Nenhum foco da doença foi encontrado no levantamento do citricultor José Alves em sua propriedade e a família Pavan também plantou um grande pomar no município com 25.000 laranjeiras de 4 variedades inclusive 5.000 pés de limão Taiti.

Zé Rosa plantava como cultura intercalar enquanto a laranja não produzia, arroz e feijoeiro, e as vezes milho, para pagar a manutenção da propriedade. Enquanto não expandia os pomares plantou milho, soja e arroz e conseguiu, depois de alguns anos, adquirir novas áreas vizinhas.

O aumento a área do pomar de laranjas foi substancial atingindo 70.000 pés das variedades Pera, Natal e Valência. Os primeiros plantios de laranja foram no terreno plano, em quadra, mas os novos plantios em terrenos inclinados foram realizados em nível, com o solo corrigido com calcário/gesso e adubação baseados em análise de terra .

Zé Rosa, desde o início de sua produção de laranjas teve como precaução fazer contratos antecipados de entrega das frutas com as indústrias de Limeira e Araras para garantir preços e poder planejar a produção anual. Na década de noventa fez plantio com contrato com firma de suco cítrico para “entrega futura” como financiamento de plantio. Nos anos noventa fez contratos com a firma de Sorocaba, aumentando o pomar com mais 5.000 árvores.

Durante sua vida de produtor sempre foi um inovador, experimentando novos produtos e novas técnicas, além de sempre viajar para a zona produtora de “citrus”, para estar em dia com o mercado de laranja e assim poder obter melhores preços para sua produção, e ainda estar em dia com inovações da cultura.

sexta-feira, 11 de março de 2011

As armadilhas que as recomendações técnicas preparam!!!

Quando se esta operando na vida profissional todo técnico poderia e deveria seguir o conselho dum veterano engenheiro agrônomo que dizia ‘ a “teoria na prática é outra” ou daquele engenheiro agrônomo que foi regional numa das regiões mais pobres de São Paulo no litoral Sul e que sempre perguntava aos mais velhos: qual é o “ macete” ou o pulo do gato? Quem fazia essas perguntas era o agrônomo regional de Iguape, Olavo, aos especialistas da CATI nos treinamentos no CETATE (Centro de Treinamento em Assistência Técnica de Campinas).

Esta pergunta tinha sua justificativa, pois muita teoria para ser aceita pelo agricultor precisava ter um respaldo da prática. Ele sabia que para introduzir novas técnicas o tinha que saber se aumentava a produtividade das culturas sem elevar o custo da produção, isto é, se era economicamente viável e socialmente desejável.

Dando assistência aos agricultores numa região essencialmente agrícola logo nos deparamos com recomendações para o controle de pragas e doenças das culturas do município, como algodão, milho, feijão, café e outras de menor expressão como laranja, banana, etc. e que sempre seguíamos o antigo e sábio adágio do colega da Casa de Agricultura de Iguape.

Sempre procurava ver os resultados das recomendações que fazíamos e verificar, após a aplicação dum defensivo, qual o efeito no controle duma praga ou doença ou se ele provocava o aparecimento de nova praga ou outra doença não existente anteriormente, bem como o controle dessas aplicações naquela lavoura.

E como isto se repetia logo fazíamos associação entre a aplicação com o ressurgimento ou não de nova paga e ou doença, mas sempre levando em conta a economicidade do controle.

A nossa recomendação seguia sempre a máxima que aprendemos com o melhor dos extensionistas que conhecemos o dr. José Gomes da Silva: È economicamente aconselhável, é viável tecnicamente e é socialmente desejável? E usando esta premissa procurávamos acertar as recomendações que fossem boas para o agricultor e que dessem os resultados desejados.

Esta associação entre defensivos e o aparecimento novas pragas nas culturas já tinham sido notadas pelos técnicos e engenheiros agrônomos especialistas do Departamento de Orientação Técnica( DOT) da CATI e pelos engenheiros agrônomos especialistas de “citrus ” ( laranjeiras, pomelos e limões das estações experimentais) e aqueles que davam assistência aos agricultores (os agrônomos da rede assistencial da Secretaria da Agricultura).

O mais notável ressurgimento de pragas ocorreu na zona cafeeira quando começaram a aplicação dos compostos de cobre (fungicidas indicados para o controle da ferrugem do cafeeiro) no final da década de sessenta. Após a aplicação dos fungicidas à base de cobre no cafezal surgia o bicho mineiro. No manual Frances, da década de sessenta, consta que a ferrugem apareceu nas colônias francesas africanas e depois de tratada com cúpricos surgiram o bicho mineiro e cochonilhas.

Após notarmos que a aplicação de determinados defensivos agrícolas provocava o surgimento de outras pragas muitas mais severas que aquelas detectadas recomendamos novos produtos que não causavam este efeito colateral.

A aplicação de novos inseticidas para o controle da praga e que provocam o ressurgimento sempre onerou produtores pelo uso desses produtos não seletivos, que muitas vezes desconhecem o efeito dessa aplicação .

Outro exemplo dessa ação foi a aplicação dos fungicidas à base de cobre - os cúpricos - para o controle da verrugose dos citrus a partir da década de sessenta. Esta aplicação provocava o surgimento das cochonilhas, uma praga muito severa e que podia exterminar os pomares, e que muitas vezes já vinham com recomendação de um inseticida junto para evitar o ressurgimento da praga . Este ressurgimento de cochonilhas foi desde há muito explicado pela pesquisa como sendo ocasionado pela morte dos fungos predadores das cochonilhas dos laranjais.

Outro exemplo notável de aparecimento de novas pragas pelo uso de produtos não seletivos foi o recente surgimento da larva minadora (lyriomisa) em laranjeiras e feijoeiro pelo uso de produtos não seletivos e que dão grande prejuízos aos citricultores e feijocultores. Na cana-de-açúcar o uso produtos sem o devido estudo de impactos está ocasionando em Piracicaba, provavelmente, o aparecimento de pragas que nunca foram problemas nesta cultura como o bicho pão e pulgão da raiz.

Baseados nessas ocorrências muitas firmas produtoras de defensivos inseriram em alguns de seus manuais além do controle de pragas e doenças, um alerta sobre os efeitos colaterais dos defensivos sobre as plantas e também sobre o meio ambiente, que surgiu como prioridade nos últimos tempos. Estes efeitos antigamente não eram mencionados em muitos manuais e recomendações técnicas dos produtos agropecuários, inclusive em corretivos e adubos foliares, causando prejuízos em lavouras e criações.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Relato sobre reunião realizada sobre a "Requeima do Milho" (Helmintosporium Maydis var. Turcicum) em 1970 no Instituto de Genética em Piracicaba, SP


Foi uma pequena surpresa a Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo ter nos convidado para participar de uma reunião extraordinária sobre a doença do milho (que era conhecida como “requeima do milho”). Esta doença, na época, era pouco conhecida dos técnicos e os agricultores nunca tinham ouvido falar sobre ela. Taquarituba, município o Sudoeste de São Paulo, era grande produtor de milho e grande consumidor de sementes híbridas provenientes do Posto de Sementes de Avaré da Secretaria da Agricultura (vendiam entre 5000 a 5.500 sacos de 50 kg. de milho híbrido todo ano agrícola) cujo responsável era o eng. agro. Mário Amorim. Naquela época existiam poucas firmas produtoras de sementes. As poucas firmas de sementes conhecidas na época eram: Sementec ( subsidiária da Refinações de milho Brazil s.a.) uma das primeiras produtoras de semente de milho hibrido particular e a milho Hibrido Avaré, e alguma outra firma autorizada a produzir sementes da Secretaria da Agricultura.

As sementes da Secretaria da Agricultura eram vendidas em sacos de algodão de 50 quilos, atualmente o saco de sementes de milho tem somente 40 quilos e algumas marcas vendem sacos de papel com 25 quilos com número de sementes contadas gravado no saco para facilitar o consumo e o planejamento de compra para o plantio.

Em 1970 diversos técnicos, engenheiros agrônomos, doutores, especialistas de cultura de milho de diversas partes do país foram convocados para participar duma reunião extraordinária no Instituto de Genética da ESALQ em Piracicaba sobre a ocorrência duma doença causada pelo fungo Helmintosporium maydis var. Turcicum e inexistente no país até aquele ano: a “requeima alaranjada do milho”. O objetivo da reunião era o estudo desta doença em São Paulo tendo em vista a busca por soluções. A doença era um problema fitossanitário sério para a cultura do milho, sendo que em anos favoráveis a doença podia dizimar a cultura plantada com semente não resistente, como falaram os geneticistas e especialistas em milho.

Compareceram a esta reunião os engenheiros agrônomos de todo o país e especialistas em milho de diversas escolas de agronomia, bem como professores de genética e especialistas em milho da ESALQ - dr. Ernesto Paterniani e dr. Marcilio Dias, Warvick E. Kerr; dr. Glauco Pinto Viégas o chefe e assessor da Cargill ( ex- diretor do Instituto Agronômico de Campinas) e seus gerentes engenheiros agrônomos; especialistas do Centro de Treinamento de Campinas - eng. agro. José Ayres Pacheco.

A reunião foi iniciada pelo Dr Frederico S. Brieguer (diretor do Instituto de Genética, na época) e seus colaboradores os engenheiros agrônomos  (pesquisadores-professores) : Varwichk E.Kerr, Roland Venkovisk, dr. Ernesto Paterniani, que já pesquisavam a genética e o melhoramento do cereal.

Os responsáveis pelas sementes produzidas no Brasil procuravam explicar por que e como a doença havia entrado no país, bem como por que o Instituto Agronômico de Campinas não tinha material genético de milho com resistência ao fungo que, segundo os especialistas em milho, seria destruidor para a lavoura que não tivessem resistência ao mesmo já que os controles químicos com fungicidas não eram viáveis. A introdução de resistência e a produção destas sementes levaria no mínimo dois anos. Enquanto isto poderiam ser comercializadas sementes de híbridos inter varietais IAC-1,e IAC-2 e variedades como o Azteca e Maya, disponíveis na Secretaria da Agricultura, produzidos e vendidos pelos Postos de sementes em todo o Estado. Outros estados produtores de sementes deveriam estudar uma maneira de fornecer sementes de milho emergencialmente.

Nesta reunião  foram então estudadas diversas medidas para resolver o problema, uma vez que toda a genética de milho do Instituto Agronômico e diversas firmas fornecedoras de sementes baseavam-se nas heranças genéticas do Instituto Agronômico de Campinas, que eram altamente suscetíveis ao fungo destruidor dessa cultura.

Como engenheiro agrônomo regional da Casa da Lavoura de Taquarituba, que mais vendia semente de milho de são Paulo, recordista na época, fomos convocados juntamente com o Chefe do Posto de sementes de Avaré,o eng. agro . Mario Amorim e com ele um dos primeiros produtores de sementes de milho híbrido de São Paulo, o produtor Dante Tezza, da sementes de “Milho Avaré”, que também usava material genético do Instituto Agronômico de Campinas para produzir o hibrido HMD (híbrido meio dente) 6999 e o HMD 7974. Ele multiplicaria o híbrido 6999B resistente e a Secretaria da Agricultura comercializaria os híbridos inter varietais como o IAC 1 e IAC 2 resistentes à doença, mas pouco conhecidas, além do milho variedade Azteca e Maya de grão moles.

Glauco Pinto Viégas, engenheiro agrônomo que representava a Cargill, afirmou que a Cargill Sementes em menos de dois anos já teria semente resistente ao fungo e à doença.

Na reunião diversas perguntas foram feitas, inclusive por que só naquele momento a doença entrou no Brasil e como ela tinha entrado no país, já que havia quarentena e fiscalização nos portos. Diversas hipóteses foram aventadas inclusive aquela de que o material introduzido dos EEUU não tinha sido desinfetado e ou tido quarentena.

A assembléia optou por impedir o plantio de material hibrido não resistente, por um ano até que fosse introduzido material genético resistente aos híbridos nacionais, que tinha no agronômico seu principal e único fornecedor de sementes básicas para multiplicação de sementes dos milhos híbridos em São Paulo, já que na época existiam poucas firmas produtores de sementes. A Secretaria da Agricultura vendeu sementes de milho de variedades e hibrido intervarietal (que tinham produtividade menor) naquele ano e nos anos seguintes sementes até que novo material genético resistente fosse introduzido no material da Secretaria. Enquanto isto as firmas Cargill e Agroceres aproveitaram e venderam seus híbridos que no ano seguinte já tinham resistência genética à doença, acabando com a liderança da Secretaria da Agricultura na venda de Sementes de Milho Hibrido.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Esporte Clube Beldará

No bar do “ Bertino” (na Rua Ataliba Leonel) foi criado em 1972 o Esporte Clube Beldará ao som do “Deus Dará” cantados por Moacir Gabriel, Miô Okamura, Zézinho da Incospel, Irineu Tomé, Salim “Mineiro” de Almeida, José Clóvis Benini, José Clóvis Fonseca, e Almeida“Galo”(figura popular na cidade).


O nome é uma corruptela de “beldarada”  e estreou no campeonato de futebol municipal em 1973. O primeiro presidente foi Moacir Gabriél. Em 1975 foi eleita a primeira diretoria, tendo como presidente, Moacir Gabriél; vice, Erso Dognani; Carlos Francisco dos Santos, o “Galo” secretário; “Miô” Okumura, segundo secretário; José Clovis Benini, tesoureiro geral; Clóvis Pinto da Fonseca, 1ºtesoureiro; Luiz de Oliveira, diretor esportivo; Antônio Gonçalves, diretor de futebol; Paulo Campos, diretor social; e o bel. Raul Fogaça, orador.
O primeiro campo de futebol foi construído provisoriamente na Chácara do Erso Dognani, na saída para Taguaí-Fartura onde foram disputados treinos e campeonatos, até mudar para o campo próprio.

Em 1976 o clube comprou uma área nas margens da represa próxima à SP-255 para ser sua sede social com quadra de esportes e local para  festas e outros eventos.
No final dos anos noventa foi vendida a sede de campo para a construção do estádio na saída da cidade para Coronel Macedo. Em 2005 o clube possuia uma área de 30 mil metros quadrados com instalações para as disputas de futebol e para os torcedores . O presidente em 2005 foi  Erso Dognani, e vice o engenheiro agrônomo Paulo Aparecido de Barros Ferreira.

O clube Beldará foi campeão municipal de Taquarituba em 1976, 86, 87, 96,97, campeão da cidade de Sarutaiá em 1992, de Itaí em 1987, 93, 96, de Coronel Macedo, em 1998 e campeão em Barão de Antonina em 1997.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Publicidade no jornal "O Taquarituba" (1969)

Os jornais são uma fonte interessante para sabermos quais as famílias taquaritubenses tinham lojas comerciais e possibilitam analisarmos as mudanças que ocorreram ao longo do tempo no comércio e no campo da prestação de serviços em Taquarituba. A seguir a lista de algumas firmas que anunciaram no jornal "O Taquarituba" em 1969 :


- Auto Agrícola Ferrari (Rua Ataliba Leonel, 537) em conjunto com a Pénha Máquinas Agrícolas;
- Oficina Nissida,
- Casa da Fortuna,
- Advocacia Paulo Salim Curiati,
- Bar e Garaparia Americana,
-Prefeitura Municipal de Coronel Macedo do prefeito Luis Tonon,
- Transparaná S.A de Londrina (Pr) representante da Crystler;
- Auto Posto Camargo;
- Casa Agropecuária de Euclides Alonso;
- Foto Nossa Senhora Aparecida de Elias Alves;
- Casa Milan;
- Casa S.Pedro do Leonél D.de Campos;
- Casa São Roque dos Irmãos Rodrigues,;
- Mercearia-Quitanda do Gino;
- Farmácia Nossa Senhora Aparecida .

O expediente do jornal "O Taquarituba" em 1969 era:

Diretor: prof. Aristides M. de Moraes
Chefe de redação: Jose Norival Augusti
Administrador de finanças: cirugião dentista Walter Silva
Redação e admininstração: R.Ataliba Leonél,691, tel.175.