sábado, 13 de setembro de 2014

No início da década de 1960 (62/63) eu atendia e prestava assistência técnica para agricultores de vários municípios como Taguaí, Itaí, Coronel Macedo, Paranapanema, etc. As vezes três ou quatro vezes por semana, inclusive prestando serviços de inspeção e avaliação e projeto para o Banespa s.a., que foi o banco financiador da agropecuária de São Paulo na época.
A respeito desta época, o engenheiro agrônomo Osvaldo Castelucci lembrou que após chegar à cidade por estrada de terra, e que na época das chuvas tornavam-se intransitáveis, atendia aos agricultores, e também atendia o município de Fartura, distante 35 km. de distância, percorrida com uma perua Kombi, do Plano de Ação de Carvalho Pinto. Fazia também a previsão de safras do Instituto de Economia Agrícola, e ao fazer a primeira, notou que as estimativas de produção e produtividade estavam superestimadas e rebaixou as produções de milho e feijão, principais culturas da época,  para a metade do estimado pelo engenheiro agrônomo anterior.
 As  estimativas seguiram para o I.E.Agrícola, e logo ele recebeu um pedido de explicação do Delegado Agrícola - eng. agro. Charles Michel Hawthorne - e do supervisor agrícola  - eng. agro. Bastilio Ovidio Tardivo, de Avaré -para confirmar a estimativa anterior ou retificá-la. Ele não ratificou e voltou a colocar os dados sem  revisão, segundo seu conhecimento da realidade da zona rural de Fartura.
    O diretor do DEPARTAMENTO DE PRODUÇÃO VEGETAL ,  eng. agro. Homem de Mello, chamou-o à S.Paulo, pedindo explicações e disse que o engo.Castelucci sabia do prestígio, do eng. agrônomo, anterior e pediu ao mesmo para reestimar e retificar  a produtividade da produtividade anotada anteriormente, pelo regional anterior.
Castelucci disse-lhe: “A minha estimativa eu assino, a anterior  eu não assino.” E para confirmar o que falava e estimava, contou que o agricultor de lá vivia em casa de pau a pique, coberta com sapé, sem água encanada, bebendo em  água de mina, passando café duas a três vezes no mesmo coador,  com o mesmo pó”,  perguntou” ao Diretor: Com esta produção e produtividade  do agrônomo anterior o agricultor moraria em casa de sapé, sem carro, sem luz e força, e sem condução para vir à cidade, usando somente carroções, tipo colonial  !!! , deixando o Diretor  o PDV (Departamento de Produção Vegetal) Homem de Mello espantado.
Homem de Mello então  concordou e a estimativa do regional Osvaldo Castelucci foi considerada válida, provando que quem tem "o pé no chão” tem poucas chances de errar!!.