sábado, 28 de janeiro de 2012

Observações técnicas de um agronômo aposentado, mas não parado!

 Estas observações técnicas e sua análise provaram a máxima do colega Olavo da Casa de Agricultura, que na década de sesseta atuava em Iguape:  a teoria na prática é outra!!!complementada pela pergunta aos especialistas: qual é o macete???, querendo saber mais além da teoria.

Durante o exercício profissional na região de Taquarituba, S.P. e seus arredores observamos alguns fatos técnicos e que não foram relatados por alguns profissionais ou que não se encontrava na literatura técnica da época:

1º Fato 1: Dizia-se que a calagem excessiva e realizada numa só vez seria prejudicial ao solo.
Notamos que com a aplicação de uma dosagem elevada e altíssima de calagem em solo argiloso de alta acidez para cultivar algodão, com pequena incorporação do solo, no ano do plantio apresentou sintomas de toxidade de cálcio e magnésio e algumas vezes de alumínio e no segundo ano em diante as produções do algodoeiro, feijoeiro e milho aumentaram gradativamente até uma produção máxima para aquele tipo de solo. 
  
2o- Na cultura de feijoeiro (cv. Carioca e seus híbridos)   a calagem de altas doses efetuadas em solo argiloso de alta acidez e com alumínio (comum nos solos latossois) no primeiro plantio efetuado apresentou sintoma de toxidade e no mesmo ano agrícola houve correção com adubação em cobertura de adubos nitrogenado e potássico, de acordo com tabela de análise de solo, complementado com adubação foliar corrigiu parcialmente a acidez e elevou os níveis de produtividade nos anos seguintes.

3o- Os defensivos monocrotofos/dimetoato usados em algodão/feijão para controle de diversas pragas na época em que foram recomendados (há 30-40 anos ) eram usados junto com um inseticida para prevenir o ataque de ácaro branco percevejo (inseticida clorado ou cloro fosforado) devido a não seletividade dos mesmos e ao fenômeno da “ressurgência” de pragas (acaro brnco ou vermelho,rajado)foi essencial para seu uso nas culturas em que eram indicadas na época. 

4o. O uso de fungicidas cúpricos em cafeeiros para o controle da ferrugem propiciava o aparecimento de bicho mineiro nas suas folhas devido ao controle do fungo predador da ferrrugem e o  uso de inseticidas sistêmicos na mesma cultura propiciava o aparecimento da cigarra parasita das raízes, como nova praga no cafeeiro, e que antes nunca tinha sido relacionada como praga dos cafezais.

5o. O uso dos novos inseticidas piretoides nas culturas de algodão e outras na década de 70/80 provocaram a infestação de numerosas e diferentes pragas em diversas culturas, sem que se soubesse o que tinha ocorrido. Mas depois foram co-relacionadas com a aplicação dos inseticidas defensivos piretóides ou seus afins nas culturas.  
 
6o. A introdução e o uso do ferohormônio (nomate fw) de agregação (e dispersão) na cultura do algodão falhou em diversos locais, pelo não aparecimento da praga; lagarta rosada,nas armadilhas. A NÃO aplicação de inseticidas não seletivos na cultura (7,5+30, metamidofos, monocrotofos, dimetoato,ometoato,endrin, etc)  evitou o aparecimento da praga e a nescessidade do uso do ferohormônio, notada nas  armadilhas usadas parao início do controle da mesma. O uso de inseticidas seletivos demonstrava que os inimigos naturais existentes estavam em equilíbrio no algodoeiro e  podiam controlar economicamente as mesmas no algodoeiro, antes da introdução do bicudo do algodoeiro (Anthonomus sp.). Após esta introdução houve  necessidade do monitoramento para seu controle com  uso de inseticidas seletivos. 

7o. O uso de calcário sem incorporação, com ou sem adição do gesso, em solos com teor elevado de matéria orgânica foi uma técnica que mudou o conceito de calagem porque possibilitou o plantio direto sem novas arações-gradeações para “quebrar” a camada impermeável provocada pela passagem de máquinas no solo antes do plantio.   Isso se deu graças ao trabalho dum pesquisador de plantio direto na palha do  Instituto Agronômico do Paraná.

8o. Embora os inseticidas clorados e clorofosforados tenham sido proibidos de serem fabricados e comercializados a partir dos anos noventa no Brasil, há muito era mencionado nas revistas e publicações internacionais que eles já tinham sido proibidos no exterior. A proibição de seu uso ocorreu depois de muita luta no campo e na imprensa nacional e preocupava a comunidade  agronômica (e ambientalistas que eram poucos na época) naquele período.

9o. Os efeitos adversos e ou efeitos colaterais dos defensivos não eram destacados nos rótulos dos defensivos, sejam eles inseticidas, fungicidas, raticidas, nematicidas e outros, o que podia causar danos irreversíveis ao meio ambiente e principalmente ao homem.

10o. Os vendedores de produtos agropecuários, sejam eles técnicos ou não,  podem interferir e já interferiram nas mudanças das técnicas e na sua adoção na zona rural, pois muitos deles foram   bem treinados ou contratados  para tal fim. Incentivaram as mudanças e o desenvolvimento agropecuário aliando esforços e multiplicando a ação de mudanças do engenheiro agrônomo e do veterinário. A definição de suas atribuições  é de vital importância para esta função.

11º.Notamos que os dirigentes máximos da Secretaria da Agricultura, pelo menos na época em que trabalhamos, não eram informados do que se passava no campo, ou o eram informados parcialmente pelos seus assessores. Como exemplo, cito que no ano de 1967 recebemos um telefonema pessoal do Secretário da Agricultura (na administração Abreu Sodré)  Dr.Herbert Levy as 6h 25/6h 30 da manhã,  perguntando se o preço baixo pago ao produtor divulgado pela rádio Bandeirantes e pelo Estadão eram reais. Com certeza tinham-no informado que os preços eram maiores, o que levou a Secretaria da Agricultura através da Ceagesp anos depois a construir um silo/ armazém no município, na gestão do dr. Antonio Rodrigues, em 1970.

12ª. O controle de pragas nas culturas do algodoeiro/tomateiro/feijoeiro, realizadas com pulverizadores manuais/costais, de inseticidas não seletivos, na época da burro mecanização não provocavam desequilíbrio biológico nas culturas como aconteceu depois com a aplicação de defensivos moto mecanizada. A pulverização imperfeita protegia os inimigos biológicos!!!


 Conclusão: Qualquer técnico que vive e trabalha no ”campo”, ou seja, diretamente com o produtor sempre encontra diferenças essenciais entre o que a teoria e as normas técnicas preconizadas pelos promotores da pesquisa e da extensão rural. Principalmente aqueles que observam atentamente o que acontece com o agricultor, suas lavouras, suas dificuldades financeiras, seus financiamentos, e as vezes seus problemas pessoais.






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