sexta-feira, 11 de março de 2011

As armadilhas que as recomendações técnicas preparam!!!

Quando se esta operando na vida profissional todo técnico poderia e deveria seguir o conselho dum veterano engenheiro agrônomo que dizia ‘ a “teoria na prática é outra” ou daquele engenheiro agrônomo que foi regional numa das regiões mais pobres de São Paulo no litoral Sul e que sempre perguntava aos mais velhos: qual é o “ macete” ou o pulo do gato? Quem fazia essas perguntas era o agrônomo regional de Iguape, Olavo, aos especialistas da CATI nos treinamentos no CETATE (Centro de Treinamento em Assistência Técnica de Campinas).

Esta pergunta tinha sua justificativa, pois muita teoria para ser aceita pelo agricultor precisava ter um respaldo da prática. Ele sabia que para introduzir novas técnicas o tinha que saber se aumentava a produtividade das culturas sem elevar o custo da produção, isto é, se era economicamente viável e socialmente desejável.

Dando assistência aos agricultores numa região essencialmente agrícola logo nos deparamos com recomendações para o controle de pragas e doenças das culturas do município, como algodão, milho, feijão, café e outras de menor expressão como laranja, banana, etc. e que sempre seguíamos o antigo e sábio adágio do colega da Casa de Agricultura de Iguape.

Sempre procurava ver os resultados das recomendações que fazíamos e verificar, após a aplicação dum defensivo, qual o efeito no controle duma praga ou doença ou se ele provocava o aparecimento de nova praga ou outra doença não existente anteriormente, bem como o controle dessas aplicações naquela lavoura.

E como isto se repetia logo fazíamos associação entre a aplicação com o ressurgimento ou não de nova paga e ou doença, mas sempre levando em conta a economicidade do controle.

A nossa recomendação seguia sempre a máxima que aprendemos com o melhor dos extensionistas que conhecemos o dr. José Gomes da Silva: È economicamente aconselhável, é viável tecnicamente e é socialmente desejável? E usando esta premissa procurávamos acertar as recomendações que fossem boas para o agricultor e que dessem os resultados desejados.

Esta associação entre defensivos e o aparecimento novas pragas nas culturas já tinham sido notadas pelos técnicos e engenheiros agrônomos especialistas do Departamento de Orientação Técnica( DOT) da CATI e pelos engenheiros agrônomos especialistas de “citrus ” ( laranjeiras, pomelos e limões das estações experimentais) e aqueles que davam assistência aos agricultores (os agrônomos da rede assistencial da Secretaria da Agricultura).

O mais notável ressurgimento de pragas ocorreu na zona cafeeira quando começaram a aplicação dos compostos de cobre (fungicidas indicados para o controle da ferrugem do cafeeiro) no final da década de sessenta. Após a aplicação dos fungicidas à base de cobre no cafezal surgia o bicho mineiro. No manual Frances, da década de sessenta, consta que a ferrugem apareceu nas colônias francesas africanas e depois de tratada com cúpricos surgiram o bicho mineiro e cochonilhas.

Após notarmos que a aplicação de determinados defensivos agrícolas provocava o surgimento de outras pragas muitas mais severas que aquelas detectadas recomendamos novos produtos que não causavam este efeito colateral.

A aplicação de novos inseticidas para o controle da praga e que provocam o ressurgimento sempre onerou produtores pelo uso desses produtos não seletivos, que muitas vezes desconhecem o efeito dessa aplicação .

Outro exemplo dessa ação foi a aplicação dos fungicidas à base de cobre - os cúpricos - para o controle da verrugose dos citrus a partir da década de sessenta. Esta aplicação provocava o surgimento das cochonilhas, uma praga muito severa e que podia exterminar os pomares, e que muitas vezes já vinham com recomendação de um inseticida junto para evitar o ressurgimento da praga . Este ressurgimento de cochonilhas foi desde há muito explicado pela pesquisa como sendo ocasionado pela morte dos fungos predadores das cochonilhas dos laranjais.

Outro exemplo notável de aparecimento de novas pragas pelo uso de produtos não seletivos foi o recente surgimento da larva minadora (lyriomisa) em laranjeiras e feijoeiro pelo uso de produtos não seletivos e que dão grande prejuízos aos citricultores e feijocultores. Na cana-de-açúcar o uso produtos sem o devido estudo de impactos está ocasionando em Piracicaba, provavelmente, o aparecimento de pragas que nunca foram problemas nesta cultura como o bicho pão e pulgão da raiz.

Baseados nessas ocorrências muitas firmas produtoras de defensivos inseriram em alguns de seus manuais além do controle de pragas e doenças, um alerta sobre os efeitos colaterais dos defensivos sobre as plantas e também sobre o meio ambiente, que surgiu como prioridade nos últimos tempos. Estes efeitos antigamente não eram mencionados em muitos manuais e recomendações técnicas dos produtos agropecuários, inclusive em corretivos e adubos foliares, causando prejuízos em lavouras e criações.

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