sábado, 26 de março de 2011

Dia de Campo de Calagem e Adubação em Pastagem (1998)

Foi promovido pela Casa da Agricultura-Dira de Sorocaba em junho de 1998 o Dia de Campo de Calagem e adubação em pastagem em Taquarituba na MicroBacia Ribeirão do Lageado I, na propriedade rural de Eloy Tamoio de Oliveira.
O Projeto de adubação e calagem em pastagem da MicroBacia Ribeirão do Lageado I foi planejado pelo assistente de Conservação do Solo da DIRA de Sorocaba, o eng. agro. Nivaldo Godói. A implementação deste projeto na propriedade de Eloy Tamoio de Oliveira ficou sob minha responsabilidade.
O projeto da Adubação e Calagem - Pastagem contou com o apoio financeiro da Minercal de Sorocaba. Participaram 31 associados da microbacia, vereadores e autoridades do município.
No final houve uma confraternização com churrasco para os participantes deste Dia de Campo.
Godói  e eu fizemos um relatório dos trabalhos de Conservação do Solo e da Água executado na Microbacia do Ribeirão do Lageado I no qual ressaltamos a importância desta microbacia para o abastecimento da água da cidade de Taquarituba. Até o ano de 1998  a água que abastecia a cidade provinha do Ribeirão do Lageado desta microbacia.

Curso de Industrialização Caseira de Frutas e Legumes

O Curso de Industrialização Caseira de Frutas e Legumes foi promovido pela Casa da Agricultura de Taquarituba, em 1993, sob minha orientação. Foi realizado na cozinha no Centro Recreativo Taquaritubense para 18 participantes,  produtores e produtoras agrícolas, da microbacia do Ribeirão do Lageado.
Este curso fazia parte do Projeto de Microbacias Hidrográficas do Ribeirão do Lageado I elaborado e exposto  pelo eng. agro. José Carlos Rosa, assessor de Sociologia e Extensão Rural da Dira-Sorocaba. Além disso, foi distribuída para cada participante uma apostila editada por ele na DIRA- Sorocaba.
A partir do curso foram criadas diversas pequenas indústrias caseiras de doces, compotas e conservas de legumes na zona rural da região de Taquarituba, principalmente na microbacia.

domingo, 13 de março de 2011

ZÉ ROSA, um agricultor taquaritubense e limeirense exemplar !!!

Lá pelo início dos anos sessenta José Alves da Silva ( Zé Rosa como era conhecido por todos) veio para Taquarituba para trabalhar na Fazenda dos Van Paris de Limeira.

Encantado com o clima, o solo, e os preços baixos das terras, Zé Rosa comprou uma área de terras no bairro da Serrinha ou dos Gomes, uma gleba de terras que não chegava a 75,0 hectares, morou na propriedade e, após uns anos, comprou uma casa na Avenida 9 de Julho, próxima ao Grupo Escolar Trindade Evangelista.

Localizada na divisa de Taquarituba com Coronel Macedo esta fazenda serviria para expandir a cultura de laranjas na região. O proprietário foi atraído pela ausência de falta de água no solo e pelo teor de sólidos solúveis do suco das laranjas e a cor das laranjas produzidas na região.

Logo após sua vinda, entre 1963 e 1964, a região foi declarada zona limítrofe com suspeita do cancro cítrico e iniciado o levantamento dos pomares de todas as propriedades e terrenos do município de Taquarituba e Coronel Macedo.

A existência desse provável problema fez com que a Fazenda Citrosuco desistisse de implantar pomares na região. Mas José Alves Rosa, tendo visto o pequeno pomar existente de laranja pêra na fazenda do engenheiro agrônomo Oswaldo Castelucci, no bairro Matão em Taquarituba, e usando a experiência que já tinha de Limeira, começou a plantar 5.000 pés da variedade de laranja pera em sua propriedade.

Nenhum foco da doença foi encontrado no levantamento do citricultor José Alves em sua propriedade e a família Pavan também plantou um grande pomar no município com 25.000 laranjeiras de 4 variedades inclusive 5.000 pés de limão Taiti.

Zé Rosa plantava como cultura intercalar enquanto a laranja não produzia, arroz e feijoeiro, e as vezes milho, para pagar a manutenção da propriedade. Enquanto não expandia os pomares plantou milho, soja e arroz e conseguiu, depois de alguns anos, adquirir novas áreas vizinhas.

O aumento a área do pomar de laranjas foi substancial atingindo 70.000 pés das variedades Pera, Natal e Valência. Os primeiros plantios de laranja foram no terreno plano, em quadra, mas os novos plantios em terrenos inclinados foram realizados em nível, com o solo corrigido com calcário/gesso e adubação baseados em análise de terra .

Zé Rosa, desde o início de sua produção de laranjas teve como precaução fazer contratos antecipados de entrega das frutas com as indústrias de Limeira e Araras para garantir preços e poder planejar a produção anual. Na década de noventa fez plantio com contrato com firma de suco cítrico para “entrega futura” como financiamento de plantio. Nos anos noventa fez contratos com a firma de Sorocaba, aumentando o pomar com mais 5.000 árvores.

Durante sua vida de produtor sempre foi um inovador, experimentando novos produtos e novas técnicas, além de sempre viajar para a zona produtora de “citrus”, para estar em dia com o mercado de laranja e assim poder obter melhores preços para sua produção, e ainda estar em dia com inovações da cultura.

sexta-feira, 11 de março de 2011

As armadilhas que as recomendações técnicas preparam!!!

Quando se esta operando na vida profissional todo técnico poderia e deveria seguir o conselho dum veterano engenheiro agrônomo que dizia ‘ a “teoria na prática é outra” ou daquele engenheiro agrônomo que foi regional numa das regiões mais pobres de São Paulo no litoral Sul e que sempre perguntava aos mais velhos: qual é o “ macete” ou o pulo do gato? Quem fazia essas perguntas era o agrônomo regional de Iguape, Olavo, aos especialistas da CATI nos treinamentos no CETATE (Centro de Treinamento em Assistência Técnica de Campinas).

Esta pergunta tinha sua justificativa, pois muita teoria para ser aceita pelo agricultor precisava ter um respaldo da prática. Ele sabia que para introduzir novas técnicas o tinha que saber se aumentava a produtividade das culturas sem elevar o custo da produção, isto é, se era economicamente viável e socialmente desejável.

Dando assistência aos agricultores numa região essencialmente agrícola logo nos deparamos com recomendações para o controle de pragas e doenças das culturas do município, como algodão, milho, feijão, café e outras de menor expressão como laranja, banana, etc. e que sempre seguíamos o antigo e sábio adágio do colega da Casa de Agricultura de Iguape.

Sempre procurava ver os resultados das recomendações que fazíamos e verificar, após a aplicação dum defensivo, qual o efeito no controle duma praga ou doença ou se ele provocava o aparecimento de nova praga ou outra doença não existente anteriormente, bem como o controle dessas aplicações naquela lavoura.

E como isto se repetia logo fazíamos associação entre a aplicação com o ressurgimento ou não de nova paga e ou doença, mas sempre levando em conta a economicidade do controle.

A nossa recomendação seguia sempre a máxima que aprendemos com o melhor dos extensionistas que conhecemos o dr. José Gomes da Silva: È economicamente aconselhável, é viável tecnicamente e é socialmente desejável? E usando esta premissa procurávamos acertar as recomendações que fossem boas para o agricultor e que dessem os resultados desejados.

Esta associação entre defensivos e o aparecimento novas pragas nas culturas já tinham sido notadas pelos técnicos e engenheiros agrônomos especialistas do Departamento de Orientação Técnica( DOT) da CATI e pelos engenheiros agrônomos especialistas de “citrus ” ( laranjeiras, pomelos e limões das estações experimentais) e aqueles que davam assistência aos agricultores (os agrônomos da rede assistencial da Secretaria da Agricultura).

O mais notável ressurgimento de pragas ocorreu na zona cafeeira quando começaram a aplicação dos compostos de cobre (fungicidas indicados para o controle da ferrugem do cafeeiro) no final da década de sessenta. Após a aplicação dos fungicidas à base de cobre no cafezal surgia o bicho mineiro. No manual Frances, da década de sessenta, consta que a ferrugem apareceu nas colônias francesas africanas e depois de tratada com cúpricos surgiram o bicho mineiro e cochonilhas.

Após notarmos que a aplicação de determinados defensivos agrícolas provocava o surgimento de outras pragas muitas mais severas que aquelas detectadas recomendamos novos produtos que não causavam este efeito colateral.

A aplicação de novos inseticidas para o controle da praga e que provocam o ressurgimento sempre onerou produtores pelo uso desses produtos não seletivos, que muitas vezes desconhecem o efeito dessa aplicação .

Outro exemplo dessa ação foi a aplicação dos fungicidas à base de cobre - os cúpricos - para o controle da verrugose dos citrus a partir da década de sessenta. Esta aplicação provocava o surgimento das cochonilhas, uma praga muito severa e que podia exterminar os pomares, e que muitas vezes já vinham com recomendação de um inseticida junto para evitar o ressurgimento da praga . Este ressurgimento de cochonilhas foi desde há muito explicado pela pesquisa como sendo ocasionado pela morte dos fungos predadores das cochonilhas dos laranjais.

Outro exemplo notável de aparecimento de novas pragas pelo uso de produtos não seletivos foi o recente surgimento da larva minadora (lyriomisa) em laranjeiras e feijoeiro pelo uso de produtos não seletivos e que dão grande prejuízos aos citricultores e feijocultores. Na cana-de-açúcar o uso produtos sem o devido estudo de impactos está ocasionando em Piracicaba, provavelmente, o aparecimento de pragas que nunca foram problemas nesta cultura como o bicho pão e pulgão da raiz.

Baseados nessas ocorrências muitas firmas produtoras de defensivos inseriram em alguns de seus manuais além do controle de pragas e doenças, um alerta sobre os efeitos colaterais dos defensivos sobre as plantas e também sobre o meio ambiente, que surgiu como prioridade nos últimos tempos. Estes efeitos antigamente não eram mencionados em muitos manuais e recomendações técnicas dos produtos agropecuários, inclusive em corretivos e adubos foliares, causando prejuízos em lavouras e criações.