quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Relato sobre reunião realizada sobre a "Requeima do Milho" (Helmintosporium Maydis var. Turcicum) em 1970 no Instituto de Genética em Piracicaba, SP


Foi uma pequena surpresa a Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo ter nos convidado para participar de uma reunião extraordinária sobre a doença do milho (que era conhecida como “requeima do milho”). Esta doença, na época, era pouco conhecida dos técnicos e os agricultores nunca tinham ouvido falar sobre ela. Taquarituba, município o Sudoeste de São Paulo, era grande produtor de milho e grande consumidor de sementes híbridas provenientes do Posto de Sementes de Avaré da Secretaria da Agricultura (vendiam entre 5000 a 5.500 sacos de 50 kg. de milho híbrido todo ano agrícola) cujo responsável era o eng. agro. Mário Amorim. Naquela época existiam poucas firmas produtoras de sementes. As poucas firmas de sementes conhecidas na época eram: Sementec ( subsidiária da Refinações de milho Brazil s.a.) uma das primeiras produtoras de semente de milho hibrido particular e a milho Hibrido Avaré, e alguma outra firma autorizada a produzir sementes da Secretaria da Agricultura.

As sementes da Secretaria da Agricultura eram vendidas em sacos de algodão de 50 quilos, atualmente o saco de sementes de milho tem somente 40 quilos e algumas marcas vendem sacos de papel com 25 quilos com número de sementes contadas gravado no saco para facilitar o consumo e o planejamento de compra para o plantio.

Em 1970 diversos técnicos, engenheiros agrônomos, doutores, especialistas de cultura de milho de diversas partes do país foram convocados para participar duma reunião extraordinária no Instituto de Genética da ESALQ em Piracicaba sobre a ocorrência duma doença causada pelo fungo Helmintosporium maydis var. Turcicum e inexistente no país até aquele ano: a “requeima alaranjada do milho”. O objetivo da reunião era o estudo desta doença em São Paulo tendo em vista a busca por soluções. A doença era um problema fitossanitário sério para a cultura do milho, sendo que em anos favoráveis a doença podia dizimar a cultura plantada com semente não resistente, como falaram os geneticistas e especialistas em milho.

Compareceram a esta reunião os engenheiros agrônomos de todo o país e especialistas em milho de diversas escolas de agronomia, bem como professores de genética e especialistas em milho da ESALQ - dr. Ernesto Paterniani e dr. Marcilio Dias, Warvick E. Kerr; dr. Glauco Pinto Viégas o chefe e assessor da Cargill ( ex- diretor do Instituto Agronômico de Campinas) e seus gerentes engenheiros agrônomos; especialistas do Centro de Treinamento de Campinas - eng. agro. José Ayres Pacheco.

A reunião foi iniciada pelo Dr Frederico S. Brieguer (diretor do Instituto de Genética, na época) e seus colaboradores os engenheiros agrônomos  (pesquisadores-professores) : Varwichk E.Kerr, Roland Venkovisk, dr. Ernesto Paterniani, que já pesquisavam a genética e o melhoramento do cereal.

Os responsáveis pelas sementes produzidas no Brasil procuravam explicar por que e como a doença havia entrado no país, bem como por que o Instituto Agronômico de Campinas não tinha material genético de milho com resistência ao fungo que, segundo os especialistas em milho, seria destruidor para a lavoura que não tivessem resistência ao mesmo já que os controles químicos com fungicidas não eram viáveis. A introdução de resistência e a produção destas sementes levaria no mínimo dois anos. Enquanto isto poderiam ser comercializadas sementes de híbridos inter varietais IAC-1,e IAC-2 e variedades como o Azteca e Maya, disponíveis na Secretaria da Agricultura, produzidos e vendidos pelos Postos de sementes em todo o Estado. Outros estados produtores de sementes deveriam estudar uma maneira de fornecer sementes de milho emergencialmente.

Nesta reunião  foram então estudadas diversas medidas para resolver o problema, uma vez que toda a genética de milho do Instituto Agronômico e diversas firmas fornecedoras de sementes baseavam-se nas heranças genéticas do Instituto Agronômico de Campinas, que eram altamente suscetíveis ao fungo destruidor dessa cultura.

Como engenheiro agrônomo regional da Casa da Lavoura de Taquarituba, que mais vendia semente de milho de são Paulo, recordista na época, fomos convocados juntamente com o Chefe do Posto de sementes de Avaré,o eng. agro . Mario Amorim e com ele um dos primeiros produtores de sementes de milho híbrido de São Paulo, o produtor Dante Tezza, da sementes de “Milho Avaré”, que também usava material genético do Instituto Agronômico de Campinas para produzir o hibrido HMD (híbrido meio dente) 6999 e o HMD 7974. Ele multiplicaria o híbrido 6999B resistente e a Secretaria da Agricultura comercializaria os híbridos inter varietais como o IAC 1 e IAC 2 resistentes à doença, mas pouco conhecidas, além do milho variedade Azteca e Maya de grão moles.

Glauco Pinto Viégas, engenheiro agrônomo que representava a Cargill, afirmou que a Cargill Sementes em menos de dois anos já teria semente resistente ao fungo e à doença.

Na reunião diversas perguntas foram feitas, inclusive por que só naquele momento a doença entrou no Brasil e como ela tinha entrado no país, já que havia quarentena e fiscalização nos portos. Diversas hipóteses foram aventadas inclusive aquela de que o material introduzido dos EEUU não tinha sido desinfetado e ou tido quarentena.

A assembléia optou por impedir o plantio de material hibrido não resistente, por um ano até que fosse introduzido material genético resistente aos híbridos nacionais, que tinha no agronômico seu principal e único fornecedor de sementes básicas para multiplicação de sementes dos milhos híbridos em São Paulo, já que na época existiam poucas firmas produtores de sementes. A Secretaria da Agricultura vendeu sementes de milho de variedades e hibrido intervarietal (que tinham produtividade menor) naquele ano e nos anos seguintes sementes até que novo material genético resistente fosse introduzido no material da Secretaria. Enquanto isto as firmas Cargill e Agroceres aproveitaram e venderam seus híbridos que no ano seguinte já tinham resistência genética à doença, acabando com a liderança da Secretaria da Agricultura na venda de Sementes de Milho Hibrido.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Esporte Clube Beldará

No bar do “ Bertino” (na Rua Ataliba Leonel) foi criado em 1972 o Esporte Clube Beldará ao som do “Deus Dará” cantados por Moacir Gabriel, Miô Okamura, Zézinho da Incospel, Irineu Tomé, Salim “Mineiro” de Almeida, José Clóvis Benini, José Clóvis Fonseca, e Almeida“Galo”(figura popular na cidade).


O nome é uma corruptela de “beldarada”  e estreou no campeonato de futebol municipal em 1973. O primeiro presidente foi Moacir Gabriél. Em 1975 foi eleita a primeira diretoria, tendo como presidente, Moacir Gabriél; vice, Erso Dognani; Carlos Francisco dos Santos, o “Galo” secretário; “Miô” Okumura, segundo secretário; José Clovis Benini, tesoureiro geral; Clóvis Pinto da Fonseca, 1ºtesoureiro; Luiz de Oliveira, diretor esportivo; Antônio Gonçalves, diretor de futebol; Paulo Campos, diretor social; e o bel. Raul Fogaça, orador.
O primeiro campo de futebol foi construído provisoriamente na Chácara do Erso Dognani, na saída para Taguaí-Fartura onde foram disputados treinos e campeonatos, até mudar para o campo próprio.

Em 1976 o clube comprou uma área nas margens da represa próxima à SP-255 para ser sua sede social com quadra de esportes e local para  festas e outros eventos.
No final dos anos noventa foi vendida a sede de campo para a construção do estádio na saída da cidade para Coronel Macedo. Em 2005 o clube possuia uma área de 30 mil metros quadrados com instalações para as disputas de futebol e para os torcedores . O presidente em 2005 foi  Erso Dognani, e vice o engenheiro agrônomo Paulo Aparecido de Barros Ferreira.

O clube Beldará foi campeão municipal de Taquarituba em 1976, 86, 87, 96,97, campeão da cidade de Sarutaiá em 1992, de Itaí em 1987, 93, 96, de Coronel Macedo, em 1998 e campeão em Barão de Antonina em 1997.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Publicidade no jornal "O Taquarituba" (1969)

Os jornais são uma fonte interessante para sabermos quais as famílias taquaritubenses tinham lojas comerciais e possibilitam analisarmos as mudanças que ocorreram ao longo do tempo no comércio e no campo da prestação de serviços em Taquarituba. A seguir a lista de algumas firmas que anunciaram no jornal "O Taquarituba" em 1969 :


- Auto Agrícola Ferrari (Rua Ataliba Leonel, 537) em conjunto com a Pénha Máquinas Agrícolas;
- Oficina Nissida,
- Casa da Fortuna,
- Advocacia Paulo Salim Curiati,
- Bar e Garaparia Americana,
-Prefeitura Municipal de Coronel Macedo do prefeito Luis Tonon,
- Transparaná S.A de Londrina (Pr) representante da Crystler;
- Auto Posto Camargo;
- Casa Agropecuária de Euclides Alonso;
- Foto Nossa Senhora Aparecida de Elias Alves;
- Casa Milan;
- Casa S.Pedro do Leonél D.de Campos;
- Casa São Roque dos Irmãos Rodrigues,;
- Mercearia-Quitanda do Gino;
- Farmácia Nossa Senhora Aparecida .

O expediente do jornal "O Taquarituba" em 1969 era:

Diretor: prof. Aristides M. de Moraes
Chefe de redação: Jose Norival Augusti
Administrador de finanças: cirugião dentista Walter Silva
Redação e admininstração: R.Ataliba Leonél,691, tel.175.