quinta-feira, 15 de abril de 2010

Fatos que Acontecem na vida do profissional e que marcam a vida agronômica.

Quando participamos do Curso de Pré Serviço, em 1966, tivemos treinamento e conhecimento da agricultura e da atuação dos agricultores formulado e realizado no antigo Departamento de Assistência Técnica Especializada(DATE) em Campinas, no Centro de Treinamento para engenheiros agrônomos e veterinários do da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, da Secretaria da Agricultura de São Paulo. Participando deste curso nós nos preparamos para a assistência técnica aos agricultores com os quais iríamos trabalhar.
Visando aumentar a produtividade das culturas e criações e melhoramento do nível de vida das populações rurais os especialistas nos prepararam para a vida profissional e clarearam o caminho que deveríamos seguir e batalhar na assistência aos agricultores do município do estado de São Paulo.
Todo técnico quando se forma toma um choque e percebe que nem sempre a teoria é aprovada na prática pelos usuários da técnica a ser difundida.
No ano 1967, dois anos após a formatura, já no exercício profissional indiquei o plantio de mamona indeiscente, que estava com preço bom e era indicada para terra de desmate, para um novo amigo e proprietário de terras de Taquarituba. No entanto, não contava com um tempo excessivamente chuvoso na floração-formação de cachos, o que fazia proliferar uma doença sem método de controle naquela época, quando não existiam fungicidas sistêmicos para controlar a doença mofo cinzento, que ocasionou a perda de quase 80 % dos cachos da mamona e da produção. Era o contato com a realidade.
Quando enfrentamos o primeiro problema de identificação de sintomas de pragas do algodoeiro, em 1972, danificados pelo uso de defensivo do vizinho que tinha derivado de pulverização da pastagem, logo me lembrei do treinamento do especialista o engenheiro agrônomo Duval da Silva Costa do Date (Divisão de Assistência Técnica de Campinas) e logo identifiquei nas folhas deformadas no formato de uma mão de cadáver, ocasionados com uso do 2-4D, herbicida para controle das invasoras do pasto vizinho. O vizinho pagou os danos no algodoal. Foi o resultado do treinamento do especialista em algodão. Foi o resultado do treinamento pré serviço do DATE( Divisão de Assistência Técnica, que possibilitou a identificação).
Quando fui atender um agricultor com algodão com folhas manchadas de amarelo e deformadas, logo identifiquei o uso de dosagem excessiva de calcário no preparo de solo, ao contrário de outras opiniões que teimavam ser uma doença, causada por fungos e ou bactéria. Foi novamente o resultado do treinamento acima mencionado.
Como dizia o dr. José Gomes da Silva (ex-secretário de agricultura de São Paulo e ex ministro da Agricultura), o treinamento torna o técnico capacitado para qualquer serviço, citando o caso da montadora Ford quando veio para o Brasil e instalou-se em São Paulo treinando com eficiência mecânicos para a montagem de caminhões e depois carros.
Quando visitava, na década de 1970, um agricultor no município de Araçatuba, cliente de uma multinacional de defensivos que pediu levantamento de pragas para seu controle, verifiquei que os ovos de lagarta das maçãs e ovos do ácaro, ali presentes nas folhas do ponteiro estavam mortos, identificados pela cor acinzentada, concluí que os mesmos tinham sido mortos pelo defensivo usado. Estava descoberta mais uma ação do defensivo antes indicado somente para alguns ácaros nas culturas. Daí foi um dado um passo rápido para pedido do registro para o controle de ovos de lagartas e de ácaros.
Mas os as descobertas positivas não acontecem sempre. Tentando controlar uma doença de feijoeiro recomendei um produto que causou queima acentuada das folhas que se recuperaram pelo uso de adubação em cobertura e foliar, aumentando o custo de produção. Não atentamos para o tempo que estava quente e com muito sol. Foi uma falta de cuidado e a falta de aviso no rótulo do produto.
Quando íamos identificar um problema para o agricultor sempre procurávamos verificar tudo o que o agricultor tinha feito na área, o que tinha sido plantado no ano anterior, qual tinha sido a adubação, o controle de pragas e doenças e verificava qual tinha sido seu efeito.
Com o advento do Manejo Integrado de Pragas e Doenças, no início dos anos oitenta, procurávamos verificar também qual tinha sido o efeito dos defensivos na população de insetos benéficos na cultura que estávamos assistindo. E a partir daí recomendar produtos seletivos para o Manejo Integrado de pragas e doenças.
Na zona canavieira em que atuamos profissionalmente muita pesquisa e observação pode ser feita, pois visitando uma lavoura de cana, há pouco tempo, deparei com sintomas de praga de raiz, e chegando mais perto notei que era o pulgão da raiz que ataca muitas vezes a cana de açúcar em época de secas. Recomendei, então, um produto seletivo para o controle do inseto-praga, com bom êxito de controle. Qualquer fato nas lavouras e no agricultor produtor observado pelo profissional marca a sua vida e a do produtor rural que recebe a assistência técnica.
A observação das culturas das criações e suas mudanças são fatores importantes para o êxito do agricultor e do profissional da área, em qualquer atividade econômica, e como diziam os antigos: È o olho do dono que engorda a boiada.




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