quinta-feira, 29 de abril de 2010

O início da experimentação do feijoeiro em Taquarituba, SP


A Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo teve até o final dos anos sessenta por filosofia a assistência agrícola colonial tipo fomentista. Participamos de estágios nesta rede e pensávamos que alguma atitude tinha que ser tomada por ela para atualizar a pesquisa e experimentação agrícolas para que os dois órgãos do Estado ligados à agricultura pudessem se aliar para alavancar a produtividade agrícola do estado de São Paulo, principalmente do feijoeiro que tinha um dos mais baixos rendimento por hectare do estado e do Brasil.
Quando fomos para a Casa da Lavoura de Taquarituba, a 350 km. do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e de qualquer outro órgão de pesquisa e experimentação resolvemos adotar o princípio de que os ensaios e experimentações deveriam ser regionais e, as vezes, municipais para terem efetividade e serem aceitos pela maioria dos agricultores. E assim foi executado.


Instalação do campo de experimentação de cultivares de feijoeiro do IAC na Fazenda Margarida Maria no Bairro do Porto, Taquarituba, 1966.


Conversando uma noite, em meados de 1966, na casa do Dr . Nelson Pavan (proprietário rural) com seu amigo Sidney Pompeu  (engenheiro agronômo e pesquisador da secção de leguminosas do IAC) e o Antonio Fedatto ( sócio-proprietário da Fazenda Santa Margarida, do bairro do Porto, que também era da familia Righettto)  foi acertado que montaríamos em Setembro deste ano um ensaio regional de feijoeiro de mesa. E assim foi feito: o Fedatto preparou o solo e vieram dois auxiliares do IAC, junto com o eng. agrônomo Eduardo Bulisani, para montar o experimento com a  nossa ajuda.
Pela declaração do chefe da Seção de Leguminosas do IAC, dr. Shiro Myasaka, "foi o primeiro experimento montado pelo IAC de Campinas fora das estações experimentais da Instituição." A partir desse experimento foi adotada como norma de trabalho, com o respaldo e apoio do Chefe de Extensão Rural de Avaré; o engenheiro agronômo Ovídio Bastilio Tardivo e seu delegado Agrícola Charles Michel Hawthorne o contato com instituições do estado e particulares para a montagem, condução, colheita de experimentos e ensaios que depois seriam conhecidos como Ensaios Regionais de Cultivares, de variedades e de avaliação de defensivos e produtos agrícolas de São Paulo, estes junto com o Instituto Biológico de São Paulo. As firmas particulares começaram, a partir dos anos setenta, a montar, colher e mostrar ensaios e campos de demomntrações de produtos em parceria com fazendas.
Plantação de nectarineiras no primeiro ano de plantio (1974) - Sítio Ceres, propriedade de José Norival Augusti(eu), no bairro Barreiro localizado no município de Taquarituba.

Á direita, Maria Joanna Augusti dando a mão para Norival Augusti Jr (1 ano e pouco de idade), ao seu lado Vânia Marconi e filho. Á esquerda, o produtor rural Antonio Marconi mostra a nectarineira florida.

Plantação de algodão - Bairro Medonho , Taquarituba,SP

Plantação de algodão do meeiro José Lara da Silva (conhecido por Zico Lara) da Fazenda Medonho do Coronel Araújo sendo vistoriada por mim e pelos técnicos agrícolas (voluntários holandeses) para controle de pragas do algodão na década de 1970.

Os voluntários holandeses eram: Gerard Litwood e Rolland Hoppman.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Fatos que Acontecem na vida do profissional e que marcam a vida agronômica.

Quando participamos do Curso de Pré Serviço, em 1966, tivemos treinamento e conhecimento da agricultura e da atuação dos agricultores formulado e realizado no antigo Departamento de Assistência Técnica Especializada(DATE) em Campinas, no Centro de Treinamento para engenheiros agrônomos e veterinários do da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral, da Secretaria da Agricultura de São Paulo. Participando deste curso nós nos preparamos para a assistência técnica aos agricultores com os quais iríamos trabalhar.
Visando aumentar a produtividade das culturas e criações e melhoramento do nível de vida das populações rurais os especialistas nos prepararam para a vida profissional e clarearam o caminho que deveríamos seguir e batalhar na assistência aos agricultores do município do estado de São Paulo.
Todo técnico quando se forma toma um choque e percebe que nem sempre a teoria é aprovada na prática pelos usuários da técnica a ser difundida.
No ano 1967, dois anos após a formatura, já no exercício profissional indiquei o plantio de mamona indeiscente, que estava com preço bom e era indicada para terra de desmate, para um novo amigo e proprietário de terras de Taquarituba. No entanto, não contava com um tempo excessivamente chuvoso na floração-formação de cachos, o que fazia proliferar uma doença sem método de controle naquela época, quando não existiam fungicidas sistêmicos para controlar a doença mofo cinzento, que ocasionou a perda de quase 80 % dos cachos da mamona e da produção. Era o contato com a realidade.
Quando enfrentamos o primeiro problema de identificação de sintomas de pragas do algodoeiro, em 1972, danificados pelo uso de defensivo do vizinho que tinha derivado de pulverização da pastagem, logo me lembrei do treinamento do especialista o engenheiro agrônomo Duval da Silva Costa do Date (Divisão de Assistência Técnica de Campinas) e logo identifiquei nas folhas deformadas no formato de uma mão de cadáver, ocasionados com uso do 2-4D, herbicida para controle das invasoras do pasto vizinho. O vizinho pagou os danos no algodoal. Foi o resultado do treinamento do especialista em algodão. Foi o resultado do treinamento pré serviço do DATE( Divisão de Assistência Técnica, que possibilitou a identificação).
Quando fui atender um agricultor com algodão com folhas manchadas de amarelo e deformadas, logo identifiquei o uso de dosagem excessiva de calcário no preparo de solo, ao contrário de outras opiniões que teimavam ser uma doença, causada por fungos e ou bactéria. Foi novamente o resultado do treinamento acima mencionado.
Como dizia o dr. José Gomes da Silva (ex-secretário de agricultura de São Paulo e ex ministro da Agricultura), o treinamento torna o técnico capacitado para qualquer serviço, citando o caso da montadora Ford quando veio para o Brasil e instalou-se em São Paulo treinando com eficiência mecânicos para a montagem de caminhões e depois carros.
Quando visitava, na década de 1970, um agricultor no município de Araçatuba, cliente de uma multinacional de defensivos que pediu levantamento de pragas para seu controle, verifiquei que os ovos de lagarta das maçãs e ovos do ácaro, ali presentes nas folhas do ponteiro estavam mortos, identificados pela cor acinzentada, concluí que os mesmos tinham sido mortos pelo defensivo usado. Estava descoberta mais uma ação do defensivo antes indicado somente para alguns ácaros nas culturas. Daí foi um dado um passo rápido para pedido do registro para o controle de ovos de lagartas e de ácaros.
Mas os as descobertas positivas não acontecem sempre. Tentando controlar uma doença de feijoeiro recomendei um produto que causou queima acentuada das folhas que se recuperaram pelo uso de adubação em cobertura e foliar, aumentando o custo de produção. Não atentamos para o tempo que estava quente e com muito sol. Foi uma falta de cuidado e a falta de aviso no rótulo do produto.
Quando íamos identificar um problema para o agricultor sempre procurávamos verificar tudo o que o agricultor tinha feito na área, o que tinha sido plantado no ano anterior, qual tinha sido a adubação, o controle de pragas e doenças e verificava qual tinha sido seu efeito.
Com o advento do Manejo Integrado de Pragas e Doenças, no início dos anos oitenta, procurávamos verificar também qual tinha sido o efeito dos defensivos na população de insetos benéficos na cultura que estávamos assistindo. E a partir daí recomendar produtos seletivos para o Manejo Integrado de pragas e doenças.
Na zona canavieira em que atuamos profissionalmente muita pesquisa e observação pode ser feita, pois visitando uma lavoura de cana, há pouco tempo, deparei com sintomas de praga de raiz, e chegando mais perto notei que era o pulgão da raiz que ataca muitas vezes a cana de açúcar em época de secas. Recomendei, então, um produto seletivo para o controle do inseto-praga, com bom êxito de controle. Qualquer fato nas lavouras e no agricultor produtor observado pelo profissional marca a sua vida e a do produtor rural que recebe a assistência técnica.
A observação das culturas das criações e suas mudanças são fatores importantes para o êxito do agricultor e do profissional da área, em qualquer atividade econômica, e como diziam os antigos: È o olho do dono que engorda a boiada.




sábado, 3 de abril de 2010

O Satanás e o Padre Teodoro Bibiano da Igreja de São Roque

Conta-se que no final dos anos cinqüenta, quando o padre Bibiano, pároco da Paróquia de São Roque de Taquarituba, num sábado em que ele foi para Itaporanga, cidade vizinha a 30 km. Viajou na estrada de terra, para uma reunião da sua ordem religiosa, e uma tempestade com chuvas violentas com muitos raios e trovões cobriu toda a região. Esta estrada ficava intransitável e perigosa quando chovia.
A mãe do Padre Bibiano, moradora na Casa Paroquial, ficou desesperada, pois o filho não era bom motorista e poderia se acidentar, e não voltar. Procurou a Delegacia de Polícia, para saber das estradas e se houvera um acidente com seu filho o Pe. Bibiano.
Informaram a ela que o padre Bibiano estava com o Satanás e que ele estava voltando de “jipe” da Delegacia.
Ela não ouviu as últimas palavras, pois desmaiou. Após alguns minutos, e muito trabalho, ela voltou a si. Então ela foi informada que Satanás era o apelido do Cabo Antonio, e sempre foi conhecido como Satanás, devido seu jeito de agir e de se comportar.
Após algumas horas o Satanás chegou e sua mamãe ficou tranqüila, mas pediu para não sair mais com o Satanás, que não ficava bem para um padre.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Ensaios e experimentos agrícolas cooperativos com órgãos de Pesquisa da Casa da Agricultura de Taquarituba

O desenvolvimento da agricultura e da economia como um todo, o aumento da produtividade e a melhora de condições de vida das populações rurais dependem da interação da pesquisa-experimentação-extensão com as universidades e institutos de pesquisa mediando os conhecimentos universais da agricultura técnica e levando-as ao campo. Em Taquarituba, essa “máxima” da economia agrícola e extensão rural foi comprovada.
A “Casa da Lavoura”, atualmente “Casa da Agricultura”, desde sua criação em 1950, participou de experimentos e ensaios regionais cooperativos junto aos órgãos de pesquisa extensão e ensino: UNRJ(Km.47), IAC, CNPAF, DOT-Dextru, IEA-S.P., IAPAR, IB-SP, ESALQ, UNESP, USP .
Na tabela a seguir são listados em primeiro lugar: as culturas ou assunto seguido do nome da fazenda/ bairro/ sítio do colaborador, seguido da instituição/órgão que elaborou a pesquisa e a seguir o trabalho e o ano/período da realização com a cooperação e realização conjunta com a Casa da Agricultura.











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