quinta-feira, 25 de março de 2010

Aumento de renda e mobilidade social em Taquarituba

O número de propriedades que era de 613 propriedades na década de sessenta, 720 na de setenta, 825 na década de oitenta passou para 894 em 2000. O índice “Gini” também cresceu com o aumento do número de propriedades no município, pois era 0,416 em 1970, cresceu para 0,654 na década de oitenta, 0,664 na década de noventa e 0,745 na década de 2000, mostrando uma correlação direta entre o número maior de propriedades e a piora na distribuição de renda 0,416 em 1970 (Índice Gini, p.20-21). No Brasil em 2001 o indice Gini era 0,568.

Pela relação de proprietários nota-se que várias propriedades (Incra, 2000) são de um mesmo dono, portanto, o número de proprietários é bem menor que o número de propriedades, o que pode explicar parcialmente a a desigualdade social e a má distribuição de renda.

O aumento da renda e as melhores condições de vida no município, embora com pior distribuição da renda, ocorreu sempre pela mudança do tipo de atividade agrícola (exploração agrícola), mesmo com assistência técnica e capacitação empresarial (cursos de gerenciamento e capacitação da Casa da Agricltura-Coreata), apoio de financiamentos oficiais(Banco do Brasil S.A., Banespa S.A., Bradesco, Mercantil, Nossa Caixa-Nosso Banco). Os dados indicam que a divisão de terras não melhorou o índice de distribuição de renda mas que aumentou a desigualdade social, de 0,416 em 1970 para 0,745 em 2000, em comparação com o Brasil que foi menor, pois em 1981 foi 0,574 subiu para 0,625 em 1989, e 0,564(ou 0,568 cf. IBGE) em 2000, melhor que o município.

A atividade econômica geradora de renda principal que era a cultura do milho (pouca geradora de renda na época) passou para algodão e depois para feijão, mostrando que estas atividades geraram renda maior para uma melhora do nível de vida da zona rural mas também da cidade que atraiu grande número de proprietários, que exploram(vam) seus sítios a partir da sede (distância máxima de 18/21 quilômetros da sede, média de 8,5 km.,Lupa SAA.).

Apesar disso não houve melhoria do índice “Gini”, pois aumentaram as desigualdades sociais semelhantes a do Brasil que tinha um índice 0,574 em 1980/81, e a de Taquarituba que foi 0,645, melhor que a do país. A desigualdade no município aumentou, mostrando que a igualdade sócio-econômica não cresceu com o aumento da renda “per capita” de Us$3511 em 1970 para Us$3890 em 2000 no período.

Com as receitas da exploração agrícola alguns poucos pequenos produtores puderam adquirir bens imóveis na cidade e até mandar filhos para estudar em outras cidades, como foi o caso do engenheiro agrônomo doutor da Faculdade de Agronomia de Ilha Solteira, filho de pequeno produtor rural do bairro dos Leites. Outros grandes produtores também mandaram filhos para universidades formando diversos médicos, professores universitários, engenheiros, economistas o que indica aumento de renda e ascensão social.

Outro fato que chama a atenção na análise é que as explorações agropecuárias do município sempre tiveram e têm diversidade de exploração, além do aumento de área de cultivo pela diminuição das áreas de matas e capoeiras(de 36 a 40 % em 1960 para 18% em 2000).

Há uma grande velocidade de mudança de exploração agrícola mostrada pelas trocas das mesmas: de milho e porco banha, passaram para algodão, milho e porco carne, mas havia café, milho, feijão das águas e secas, batata inglesa, laranja e gado de leite. Depois com milho, feijão das águas e das secas, e na impossibilidade da ultima exploração passaram para sementes de “crotalária” (uma leguminosa cujo talo é usado para produção de papel de cigarros), ervilhas secas para enlatar e para sementes, feijão tolerante ao mosaico dourado, tomate rasteiro, café, e milho “ safrinha”(plantado em fevereiro e março) laranja e gado de leite.

A partir do ano 2000, a predominância das culturas do milho e do feijão voltou a manifestar-se e as culturas de café e laranja voltaram a ser de poucos produtores, em grandes áreas além de gado de corte e leite dos produtores tradicionais.

Segundo relação da Lupa (Levantamento das Unidades Produtivas Agrícolas) da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) em 2000/2002 muitos agricultores são proprietários de mais de uma propriedade, alguns com três ou mais, mostrando uma mobilidade extrema desses agricultores tanto na tecnologia como no gerenciamento das atividades.

A melhora das técnicas de produção talvez seja explicada pelo grande número de agricultores num município pequeno, terras boas, capacitação e interesse pelas técnicas modernas geradoras de renda, aliadas a ação de assistência técnica da Secretaria da Agricultura, junto a esses agricultores.

A cultura de feijão, predominante no município e região, gera renda para todas as classes sociais, mas  pouca igualdade social, e com a futura mecanização total decorrente do aumento de área e falta de mão de obra para colheita na cultura (do feijoeiro) pode ocorrer um maior desemprego pela mecanização, como afirma Kageyama(1987) principalmente no final do ciclo da cultura, e que poderá aumentar ainda mais o IDH renda e geral da população.

O excesso de mão de obra decorrente da diminuição do plantio de feijão das secas nos últimos anos, a partir de 2001/2 foi ocupada parcialmente pela colheita manual da cana pelas usinas de álcool e aguardente da região de Itaí e Taquarituba e de açúcar de Lençóis Paulista que utilizavam os caminhões de “turmeiros” ou seja donos de caminhão, com carroceria adaptada ou não, que levavam trabalhadores rurais moradores da periferia da cidade e absorviam parte da mão de obra que sobrava devido a modernização agrícola.

Um fator que atraiu a população para a cidade da década de cinqüenta para sessenta foi a inauguração da força e luz na cidade (1952), enquanto não existia a eletrificação rural que ocorreu em 1972/73. Além da eletrificação o aumento da população ocorreu devido ao incentivo da Prefeitura Municipal que doou terrenos na cidade a quem construísse casa em área desapropriada, e também a modernização da agricultura, que libera o produtor e o trabalhador do serviço pesado e moroso.

O aumento de renda da cultura do algodão, a plantação de duas safras anuais de feijão, a diversificação de culturas e de criações, com financiamentos oficiais dos bancos favoreceu e acelerou a modernização do comércio com a criação de supermercados, pois já não era necessária a venda com prazo de safra, pelo aumento de renda proporcionado pelas novas explorações agro pecuárias.

Dos anos setenta para oitenta ocorreu a introdução da cultura do algodão e a entrada de migrantes agricultores de regiões mais desenvolvidas (região de Campinas) em Taquarituba. O índice “Gini” passou de 0,416 em 1970 para 0,654 em 1980, o que indica o aumento da desigualdade nesse decênio em que a cultura de algodão predominava (o município teve área de 10.800 há. no ano agrícola 1976/77), embora haja estudos que mostram que a cultura quando praticada por pequenos agricultores distribui renda, aparentemente isto não correu no município.

A cultura do feijão, que sucedeu a de algodão, mostrou que a primeira serviu também para aumentar as desigualdades (de 0,645 em 70, para 0,664 em 80 e 0,745 em 2000), devido a variabilidade da produção, de rendimentos e de preços (com uma safra das águas, embora sejam feitas duas safras: 1ª com feijão e 2ª com milho, soja safrinha ou mesmo feijão das secas tolerantes ao Mosaico Dourado - em janeiro, fevereiro).



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