quinta-feira, 25 de março de 2010

Aumento de renda e mobilidade social em Taquarituba

O número de propriedades que era de 613 propriedades na década de sessenta, 720 na de setenta, 825 na década de oitenta passou para 894 em 2000. O índice “Gini” também cresceu com o aumento do número de propriedades no município, pois era 0,416 em 1970, cresceu para 0,654 na década de oitenta, 0,664 na década de noventa e 0,745 na década de 2000, mostrando uma correlação direta entre o número maior de propriedades e a piora na distribuição de renda 0,416 em 1970 (Índice Gini, p.20-21). No Brasil em 2001 o indice Gini era 0,568.

Pela relação de proprietários nota-se que várias propriedades (Incra, 2000) são de um mesmo dono, portanto, o número de proprietários é bem menor que o número de propriedades, o que pode explicar parcialmente a a desigualdade social e a má distribuição de renda.

O aumento da renda e as melhores condições de vida no município, embora com pior distribuição da renda, ocorreu sempre pela mudança do tipo de atividade agrícola (exploração agrícola), mesmo com assistência técnica e capacitação empresarial (cursos de gerenciamento e capacitação da Casa da Agricltura-Coreata), apoio de financiamentos oficiais(Banco do Brasil S.A., Banespa S.A., Bradesco, Mercantil, Nossa Caixa-Nosso Banco). Os dados indicam que a divisão de terras não melhorou o índice de distribuição de renda mas que aumentou a desigualdade social, de 0,416 em 1970 para 0,745 em 2000, em comparação com o Brasil que foi menor, pois em 1981 foi 0,574 subiu para 0,625 em 1989, e 0,564(ou 0,568 cf. IBGE) em 2000, melhor que o município.

A atividade econômica geradora de renda principal que era a cultura do milho (pouca geradora de renda na época) passou para algodão e depois para feijão, mostrando que estas atividades geraram renda maior para uma melhora do nível de vida da zona rural mas também da cidade que atraiu grande número de proprietários, que exploram(vam) seus sítios a partir da sede (distância máxima de 18/21 quilômetros da sede, média de 8,5 km.,Lupa SAA.).

Apesar disso não houve melhoria do índice “Gini”, pois aumentaram as desigualdades sociais semelhantes a do Brasil que tinha um índice 0,574 em 1980/81, e a de Taquarituba que foi 0,645, melhor que a do país. A desigualdade no município aumentou, mostrando que a igualdade sócio-econômica não cresceu com o aumento da renda “per capita” de Us$3511 em 1970 para Us$3890 em 2000 no período.

Com as receitas da exploração agrícola alguns poucos pequenos produtores puderam adquirir bens imóveis na cidade e até mandar filhos para estudar em outras cidades, como foi o caso do engenheiro agrônomo doutor da Faculdade de Agronomia de Ilha Solteira, filho de pequeno produtor rural do bairro dos Leites. Outros grandes produtores também mandaram filhos para universidades formando diversos médicos, professores universitários, engenheiros, economistas o que indica aumento de renda e ascensão social.

Outro fato que chama a atenção na análise é que as explorações agropecuárias do município sempre tiveram e têm diversidade de exploração, além do aumento de área de cultivo pela diminuição das áreas de matas e capoeiras(de 36 a 40 % em 1960 para 18% em 2000).

Há uma grande velocidade de mudança de exploração agrícola mostrada pelas trocas das mesmas: de milho e porco banha, passaram para algodão, milho e porco carne, mas havia café, milho, feijão das águas e secas, batata inglesa, laranja e gado de leite. Depois com milho, feijão das águas e das secas, e na impossibilidade da ultima exploração passaram para sementes de “crotalária” (uma leguminosa cujo talo é usado para produção de papel de cigarros), ervilhas secas para enlatar e para sementes, feijão tolerante ao mosaico dourado, tomate rasteiro, café, e milho “ safrinha”(plantado em fevereiro e março) laranja e gado de leite.

A partir do ano 2000, a predominância das culturas do milho e do feijão voltou a manifestar-se e as culturas de café e laranja voltaram a ser de poucos produtores, em grandes áreas além de gado de corte e leite dos produtores tradicionais.

Segundo relação da Lupa (Levantamento das Unidades Produtivas Agrícolas) da CATI (Coordenadoria de Assistência Técnica Integral) em 2000/2002 muitos agricultores são proprietários de mais de uma propriedade, alguns com três ou mais, mostrando uma mobilidade extrema desses agricultores tanto na tecnologia como no gerenciamento das atividades.

A melhora das técnicas de produção talvez seja explicada pelo grande número de agricultores num município pequeno, terras boas, capacitação e interesse pelas técnicas modernas geradoras de renda, aliadas a ação de assistência técnica da Secretaria da Agricultura, junto a esses agricultores.

A cultura de feijão, predominante no município e região, gera renda para todas as classes sociais, mas  pouca igualdade social, e com a futura mecanização total decorrente do aumento de área e falta de mão de obra para colheita na cultura (do feijoeiro) pode ocorrer um maior desemprego pela mecanização, como afirma Kageyama(1987) principalmente no final do ciclo da cultura, e que poderá aumentar ainda mais o IDH renda e geral da população.

O excesso de mão de obra decorrente da diminuição do plantio de feijão das secas nos últimos anos, a partir de 2001/2 foi ocupada parcialmente pela colheita manual da cana pelas usinas de álcool e aguardente da região de Itaí e Taquarituba e de açúcar de Lençóis Paulista que utilizavam os caminhões de “turmeiros” ou seja donos de caminhão, com carroceria adaptada ou não, que levavam trabalhadores rurais moradores da periferia da cidade e absorviam parte da mão de obra que sobrava devido a modernização agrícola.

Um fator que atraiu a população para a cidade da década de cinqüenta para sessenta foi a inauguração da força e luz na cidade (1952), enquanto não existia a eletrificação rural que ocorreu em 1972/73. Além da eletrificação o aumento da população ocorreu devido ao incentivo da Prefeitura Municipal que doou terrenos na cidade a quem construísse casa em área desapropriada, e também a modernização da agricultura, que libera o produtor e o trabalhador do serviço pesado e moroso.

O aumento de renda da cultura do algodão, a plantação de duas safras anuais de feijão, a diversificação de culturas e de criações, com financiamentos oficiais dos bancos favoreceu e acelerou a modernização do comércio com a criação de supermercados, pois já não era necessária a venda com prazo de safra, pelo aumento de renda proporcionado pelas novas explorações agro pecuárias.

Dos anos setenta para oitenta ocorreu a introdução da cultura do algodão e a entrada de migrantes agricultores de regiões mais desenvolvidas (região de Campinas) em Taquarituba. O índice “Gini” passou de 0,416 em 1970 para 0,654 em 1980, o que indica o aumento da desigualdade nesse decênio em que a cultura de algodão predominava (o município teve área de 10.800 há. no ano agrícola 1976/77), embora haja estudos que mostram que a cultura quando praticada por pequenos agricultores distribui renda, aparentemente isto não correu no município.

A cultura do feijão, que sucedeu a de algodão, mostrou que a primeira serviu também para aumentar as desigualdades (de 0,645 em 70, para 0,664 em 80 e 0,745 em 2000), devido a variabilidade da produção, de rendimentos e de preços (com uma safra das águas, embora sejam feitas duas safras: 1ª com feijão e 2ª com milho, soja safrinha ou mesmo feijão das secas tolerantes ao Mosaico Dourado - em janeiro, fevereiro).



FASES DA AGRICULTURA TAQUARITUBENSE

A agricultura taquaritubense teve cinco fases, isto é, teve predomínio de uma cultura ou criação. Nas últimas duas fases  a diversificação de  culturas e criação de animais foram determinantes para que o agricultor continuasse a produzir no município apesar da falta de incentivos econômicos. Não houve um êxodo rural pronunciado, pois as propriedades agrícolas do município ficam pouco distantes da cidade (no máximo 12 km) o que também concorreu para a permanência do agricultor no campo.

Fases
1a.Fase do milho-porco, com a predominância de milho plantando com “matracas" sem arar (plantio direto primitivo) até 1969.

2ª. Fase do desmatamento, do plantio de milho e de feijão intercalar ao milho, cereal este que era usado para criar e engordar porcos, tipo banha, até 1972.

3ª. Fase do algodão e burro-mecanização: quando o algodão era cultivado com animais, pulverizados a mão e com animais, colhidos a mão até 1977.

4ª. Fase da diversificação total e mecanização até 2000: período em que o feijão foi a cultura principal, mas plantava-se soja, café, laranja, bicho da seda, tomate rasteiro, legumes, ervilha seca, laranja, batata, palmito, gado de leite e de corte, suínos e produção de hortaliças em ambiente controlado (estufas), como explorações agropecuárias. Após 2001 a diversificação de cultura continuou sendo que o feijão era a principal cultura; além do cultivo de milho, soja, café e citrus, e criação de gado de corte, criação de peixes.

5ª. Fase de Tecníficação: com predominância da cultura do feijoeiro. De 2001 em diante ocorreu a modernização e tecnificacão da agricultura, principalmente da cultura do feijoeiro que em 2005 teve a colheita mecanizada totalmente.
A tecnificação implica melhoria da adubação e calagem; uso racional de máquinas e equipamentos; manejo e controle de pragas e doenças das culturas e dos animais; melhoria do preparo do solo e início do plantio direto; plantio e manejo de pastos para a criação de animais econômicos; etc

As culturas econômicas e criação de animais no município alcançou os maiores níveis de produtividade que nunca se pensou nas últimas décadas do século XX.

6a. Festa do Milho (1966/1967) - colheita e premiação

A foto registra a colheita da produção de milho do produtor Jordão de Oliveira. A colheira foi acompanhada por dois fiscais (ao fundo) nomeados pela Comissão Organizadora do concurso de Produtividade "O melhor produtor de Milho de Taquarituba". Ano Agrícola 1966/1967


A foto registra a multidão que participava da 6a. Festa do Milho (1966/1967) e na ocasião assistia ao  discurso do deputado estadual Ciro Albuquerque (à direita) no palanque construído na Praça São Roque. Ao seu lado  Ribas Ferreira de Oliveira. 


segunda-feira, 8 de março de 2010

Sede da agência do Banco do Brasil

Sede da Agência do Banco do Brasil de Taquarituba, SP.

Festa de Casamento em Taquarituba

Churrasco do casamento da  Lúcia, filha do produtor rural Agostinho Benini, com Nelson na Fazenda dos Neves no Bairro dos Alves nos anos 1970.

Da esquerda para a direita no primeiro plano da imagem estão José Norival Augusti(eu), a nora do Aguto Nissida, Adélia Nissida, Aguto Nissida. No segundo plano, da direita para a esquerda, está Luis Tenca, depois (agachado) José Cândido e no primeiro plano eu, em pé no segundo plano o vendedor da Casa Gomes o conhecido "Zé Capim" e outros convidados.

Matéria sobre diversificação de cultura de inverno - ervilha


Informativo da DIRA de Sorocaba, Ano Agrícola 1984-1985


Incentivei, como agrônomo regional, o plantio de ervilha para diversificar a produção do município,usar a terra na entre safra(Março/julho/Agosto), absorver mão de obra e usar irrigação na entre safra. Foi indicada nos anos setenta pelo dr. Lorival Carmo Mônaco e incentivada pela Cica de São Paulo e a Kave sementes de Ribeirão Preto para produzir sementes para a firma Steiner de Santa Catarina.

Isca de ferohormônio para bicudo do algodoeiro.


Fazenda Ribeiro Bonito de Pedro José de Almeida (Pedro Mineiro). Bairro Ribeirão Bonito de Taquarituba, SP. Década de 1980.
Fotografia de autoria de José Norival Augusti.

Almoço beneficente Pró- Construção do Hospital da Santa Casa de Taquarituba

Almoço beneficente Pró- Construção do Hospital da Santa Casa de Taquarituba promovido pelo Lions Clube. Local: Escola de 1o. e 2o. graus Julieta Trindade Evangelista.  1968 ou 1969?

Adaptação de adubadeira de cobertura - déc. 1970

Adaptação de adubadeira para aumentar o rendimento da adubação em cobertura na cultura do feijoeiro. Esta adubadeira evitava a queima das folhas do feijoeiro pelo adubo, pois quando era adubado com as mãos queimava as folhas do feijoeiro e as mãos do produtor . Foi uma sugestão minha, quando eu era engenheiro agrônomo da Casa da Agricultura, para os pequenos produtores de feijão, do municipio e que foi muito usada por eles, pois não tinham máquinas de adubação em cobertura no início dos anos setenta do século passado.

Levantamento da cultura do Milho - Ano agrícola 1967/8, Taquarituba, S.P.


O produtor Jordão de Oliveira observando o perfilhamento do milho ocasionado pela alta fertilidade do solo. Taquarituba, 1968. Fotografia de autoria de J. Norival Augusti

No ano agrícola de 1967-1968 realizei um levantamento da cultura do milho usando um jipe 52, pois naquele tempo a Casa da Lavoura não contava com auxiliares técnicos, mas tão somente um escriturário e um servente-contínuo. O escriturário organizou, contabilizou e fez as análises dos dados levantados nos sítios, fazendas, bares e clubes, por mim. O escriturário não contava nem com  calculadora primitiva para fazer os cálculos.
A relação dos produtores foi retirada da relação do Incra por sorteio dentro dos extratos de áreas e os sorteados foram entrevistados em seus sítios, fazendas, bares e outros locais. 
O questionário foi elaborado em conjunto com o especialista de Milho do DATE (Departamento de Assistência Técnica Especializada) de Campinas, os engenheiros agrônomos José de Andrade e J. Arlindo Ayres Pacheco, com o objetivo de se conhecer a situação das lavouras e de seus produtores para com os dados “formular” ou montar o Plano Anual de Assistência Técnica do município baseado nos dados da lavoura.
Os dados foram tabulados e junto com  Michel Charles Hawthorne (Delegado Regional Agrícola de Avaré) e com o engenheiro agrônomo Ovídio Bastilio Tardivo (Chefe de Extensão Rural de Avaré), os planos agrícolas foram formulados baseados na realidade das culturas e de seus produtores.
Alguns agricultores não responderam a todas as perguntas. O município tinha como principal atividade agrícola a cultura de milho, complementada com a renda com da engorda de porcos (engordados com os milhos, produzidos e retidos na propriedade) e ou cultura de feijão das seca plantados em fevereiro e colhidos em abril-maio, intercalares à cultura de milho. Segue abaixo os registros da pesquisa desenvolvida naquela época.

Foi elaborado questionário e aplicado aos produtores: nos bairros do: Porto(3produtores),Barreiro(4),Estiva(2),Campos(2), Queimadão(8), Muniz(2), Palmeiras(2),Baianos(1), Ribeirão Bonito(2),Aleixo(1), Neves(3), Muniz(2), Leites(1), Pico(1), Palmeiras/Muniz(2)- Total-36 questionários.
Estes produtores foram sorteados na relação de proprietários nos diversos extratos de áreas e sorteados da relação do Incra(1965):I- extrato de 0,1 há. a 20,há., II- extrato de 20,1 a 50 há, III- extrato de área de 50,1 a 200, há , IV extrato com áreas de mais de 200,1 há. 
Abaixo algumas das perguntas do questionário e suas respostas:
 
1-Qual a solução para aumentar a produtividade?
Apareceram diversas respostas a esta primeira pergunta, sendo que foram apontados pelos 91 produtores de milho consultados e algumas são relatadas ipsis literis:

Alguns diziam que era preciso ter sementes mais fortes, outro acreditava que sua produção iria diminuir, 5 gostariam de ter milho hibrido melhor, outro adubando com esterco, outro não tinha experimentado adubo mas acreditava que com ele poderia aumentar a produção, outro se mecanizasse ou se tivesse um burro e o usasse na condução da cultura, outro se trocasse de terra, outro adquirindo experiência,outro preparando melhor a terra,A resposta mais interessante foi que se o tempo ajudasse melhoraria a produção.

Outra forma de perguntar: Como aumentar a produção por alqueire(medida usada pelo agricultor)

As respostas abreviadas ou por extenso foram: deveria experimentar diversas épocas de plantio(1)para tentar aumentar a produtividade; outro que a produção variava conforme o tempo(1); milho mais tardio tem mais tempo para "formar"o milharal e produzir mais(1); plantio mais cedo demora mais para formar";plantio em Nov.-Dezembro sai mais rápido, (1), em setembro produz mais e grana e melhor(1),Outubro e´ o mês melhor e da menos serviço,na produção (1),Setembro e Outubro tem mais tempo para formar, e em Novembro,o milho vem mais forte(1),melhorar o plantio:(12),deveria experimentar diversas épocas(1), precisa contar com o tempo (1), não adianta plantar cedo que aumenta o ciclo(1), em set. e outubro produz mais,(1) em Novembro o milharal sai mais rápido, outro dizia que setembro produzia mais, outro que setembro e outubro, tem tempo para formar a lavoura, outro que novembro,. a lavoura vem mais forte, mais tarde e requer menos serviço.


2-Vocês fazem ou não financiamento? em bancos?
As respostas foram as mais variáveis, e assim distribuídas:

Dois tinham o suficiente para"quebrar o galho", outro "tocava" só com a família, não precisando do financiamento, Três nunca procuraram crédito, outro estava fazendo inventário e não podia fazer o crédito, outros três achavam difícil, Um não tinha a área do terreno dividido com os herdeiros; dois cuidavam de pouca "roça", outro disse que a lavoura “ não correspondia" financiar, outro tinha dinheiro sobrando"e outro disse era a taxa cobrada 4 a 5 % ao mês pelos particulares, outro diz que o Banco não financia para gente “fraca”(financeiramente), outro "não tinha leitura"e assim ficava difícil, e um produtor entrevistado não tivera lavoura de milho no ultimo ano.


2a)Os bancos financiadores das lavouras foram 1(um) banco do Brasil(Avaré), quatro(4) em bancos não oficiais,(Mercantil de S.P. e Bradesco) e três(3) de particulares ou conhecidos.

3- -Você faz conservação do solo?ou planta em ou com curva de nível?

Respostas: Quinze vírgula cinqüenta e nove por cento por cento(15,59%) dos produtores nada faziam de práticas de conservação do solo no extrato I(0,1 a 20 há)-setenta e sete,noventa e dois por cento plantavam cortando as águas(77,92%), e seis virgula quarenta e nove por cento plantavam em nível(6,49%); no extrato II- (20,1 a 50,há) 4quatro nada faziam para conservar o solo, 15 plantavam cortando as águas das chuvas, e Um plantava em nível; no extrato III 2 produtores nada faziam para controlar a erosão, 7 produtores plantavam cortando as águas, e Um plantava em nível.abrangendo uma população de 77 produtores de milho.


4- Qual a qualidade da semente de milho que plantam?
Respostas: Nos extratos de I ao IV,setenta e dois ou seja 79,12% plantavam sementes de híbridos da Casa da Lavoura da Secretaria da Agricultura,(naquele tempo HMD-6999), 4(quatro) ou 4,39% plantavam híbridos da Agroceres; Ag12, 2(dois) ou 2,19% plantavam hibrido da Cargill, 2(dois)ou 2,19% plantavam milho Azteca(da S.A.), 3 ou 3,18% plantavam híbridos da Sementec e 8(oito) ou 8,79% plantavam milho de paiol de segunda geração de hibrido.

Pelo resultado constatou-se que as sementes selecionadas de híbridos,(no ano 67/8)eram 91,21% usadas pelos agricultores. A percentagem e numero maior de pequenos produtores(58,5%) no uso de sementes hibridas, foi no extrato I de produtores com áreas das propriedades de 0 a 20 há, e em segundo lugar o extrato II de 20,1 a 50,0 hectares, mostrando que os pequeno agricultores foram um dos primeiros ‘a adotar a técnica das sementes hibridas por motivação, convicção ou necessidade porque dependiam dela para manutenção da sua família.

Na oportunidade do questionário a Secretaria da Agricultura era o principal fornecedor de sementes de milho, para a lavoura paulista e as firmas particulares começavam a aparecer sendo uma das primeiras a Sementec, subsidiaria das Refinações de Milho Brazil Ltda.(grande compradora de grãos na ocasião) , a segunda a Agroceres e terceira Cargill despontavam como produtora e vendedora de sementes de milho hibrido. Estas porcentagens foram maiores que as encontradas nos estudos de extensão rural nas lavouras americanas, na década de cinqüenta, (quando foram criados os primeiros híbridos nos EEUU.) e quando se estudou a introdução de milho híbrido nas lavouras americanas.(aula de extensão rural, ESALQ,1964)

5- Como prepara a terra para o plantio do milho?

Quando da realização do questionário praticamente não existia tratores no município, e muitas terras eram recém desbravadas e ainda tinham restos de arvores ou “tocos” nas terras de aração.
Por isto encontramos diversas respostas no resultado dos questionários:

As respostas ao questionário foram:
No extrato I- (propriedades de 0,1 a 20 há):quatorze dos produtores ou 33,3%:–rolam a “palhada”(ou seja restos de cultura do milho,com rolete tracionados a animal,)do milho, picam a mesma, aram e gradeavam a terra; seis (14,2%) produtores queimavam a “palhada” e aravam/gradeavam a terra; doze( 28,5 %) aravam com tudo; cinco(11,9%) soltavam porcos e depois aravam e gradeavam, o terreno para plantarem, num total de 42 produtores. No extrato II- de 20,01 a 50,0ha.: 7- produtores “rolavam” a “palhada” com picadores e depois aravam, 2- queimavam a palhada do milho, e depois aravam com todos os restos culturais e depois gradeavam, 3-“enleiravam”, queimavam a palhada e depois aravam e gradeavam.No extrato II, de 20,01 a 50.ha.-2 rolavam,picavam e aravam/gradeavam para plantar. No extrato III:de 50,01 a 200ha- 2 rolavam,picavam, e aravam/gradeavam para o plantio, 2 queimavam e aravam/gradeavam para o plantio, 2 enleiravam, ,queimavam ,aravam e gradeavam para o plantio.No extrato IV de área maior que 200.01 ha 2 produtores rolavam, picavam e aravam/gradeavam para o plantio, Um: 1queimava e arava para o plantio, 2 reservavam para pasto a área plantada com milho, e 1um servia para renovação de pastagens, totalizando 78 os questionários aplicados ou o numero de produtores “levantados” ou “questionados.”

Pelo levantamento conclui-se que não havia mecanização tratorizada(usando tratores), mas tão somente “burro mecanização”;termo que indica o plantio usando animais para plantar e colher a lavoura.

6- Como o produtor “pode aumentar a produção de milho de sua terra ou produtividade? As respostas foram as mais variadas:
 - Um disser que era preciso ter mais crédito para corrigir a acidez.
- Dezenove disseram que adubando eles aumentariam a produção.
- Dez disseram que adubando e melhorando o plantio.
- Três produtores achavam que se tratassem bem e adubasse a lavoura.
- Um disse que fazendo curvas de nível, adubando e Deus mandando água a produção aumentaria.
- Um disse que se “estercasse” aumentaria a produção.
- Dois disseram que só Deus poderia melhorar a produção, um acreditava que poderia melhorar e se trocasse de terra.
- Um só gastaria mais para melhorar a produção se os preços do milho melhorassem.
- Um disse que se adubasse poderia aumentar, mas não tinha experimentado adubar.
- Um afirmou que melhoraria se tivesse um animal e implementos para plantar, pois plantava tudo manualmente(e com fogo).
- Um disse que lhe faltava experiência.
- Três achavam que o tempo chuvoso era a melhor maneira de aumentar a produtividade.
- Um disse que  “preparar bem a terra conforme se precisa”.
- Um disse que a produção era “capaz de diminuir”com a passagem do tempo.



7. Quando costuma vender o milho produzido?

Respostas: Eles responderam que vendiam de abril a agosto, dependendo de vários fatores e um deles era a necessidade de dinheiro: três vendiam em março-abril; oito vendiam em abril-maio; três de maio a junho; oito de maio em diante; dois após a colheita ou na colheita; outro de março a maio; um de abril a agosto; um em agosto; um de agosto a setembro; três em junho e julho; 2 em junho; um em novembro; um quando precisa de dinheiro nos meses de outubro a dezembro; e somente um comprava para o uso complementando sua produção.



8-Qual a causa da “requeima” ou amarelecimento do milho?
Respostas: Entre as respostas destacamos:Três por acides; Três por mormaço e chuva demais; Três por falta de chuvas, na época certa; chuvas e calor nas baixadas; Lavoura suja(de mato) e com sol; Dez por causa de plantio denso, com muita planta na cova; Dois disseram que não tem mais requeima após usar o milho hibrido da Casa da Lavoura; Quatro disseram ser devido ao tempo quando tem muito sol;Três disseram que terreno fraco e terra lavada aparece mais requeima; Dois devido a qualidade da terra; Outro que quando chove e tem “calorão” tem mais requeima, um Outro que falta “esterco na terra”, Dois achavam que se o tempo corresse bem produzia bem,ou se tivesse seca ou o sol muito quente dava requeima e produzia menos; Outro que seca ou sol muito quente na época do florescimento prejudicava a produção, e Finalmente outro disse que quando se “enleirava”, os restos culturais o calor delas poderia dar a requeima e prejudicar a produção.

9- A lavoura de milho é ou não compensadora?
Respostas:  As respostas foram as mais variadas. Foram vinte e seis respostas desde as favoráveis ‘a cultura até aqueles que achavam que a cultura era fácil, correspondia ao tratamento, e alguns até acredita-vam que compensaria se o preço fosse bom (alto). Outros diziam que compensava porque trabalhavam sem “camarada.”Outro achava que compensava para aqueles que trabalhavam bem. Outro dizia que “não enriquecia, mas dava para comer”; Outro compensaria se fosse trabalhar sozinho, outro achava que não podia lidar com outra cultura;,Outro que não dava prejuízo; Dois disseram “que o ramo é um teste e temos que ir treinando”, outro dava pouco lucro, mas estava acostumado,um Outro não dava prejuízo, e se tudo correr bem a lavoura é lucrativa, Dois disseram que conforme o ano a lavoura dá lucro, e Dois disseram que não dá prejuízo.

Conclusão:
Pelas respostas variadas concluimos que o nível de aspiração do produtor, tanto tecnicamente quanto socialmente era baixo, portanto não haveria outra técnica, a não ser aumentar o nível de necessidade do produtor, criando novos interesses para mudarem de cultura e/ou estimular a eletrificação rural que demandaria maiores necessidades como rádio, liquidificadores, geladeiras, TV, congeladores residenciais, bombas de água, bombas e aparelhos de irrigação, etc., e com isto estimular técnicas mais dispendiosas para aumentar o complexo de necessidades do produtor. Esta última opção foi escolhida pelos engenheiros agrônomos e técnicos agrícolas, a partir dos anos setenta (1972/3),  da Casa de Agricultura do governo do Estado e foram auxiliado pelo SEER (Serviço Especial de Eletrificação Rural) de São Paulo. 

Rio Taquari

Rio Taquari no final da Represa Jurumirim. Esta represa faz limite com o município de Taquarituba e Itaí e Tejupá.

A foto de 2008 foi cedida por Miguel Chibani Bakr.

sábado, 6 de março de 2010

Campo experimental de cultivares de feijão em Coronel Macedo

Na Safra da seca 1971-1972 foi realizado um ensaio cooperativo regional de cultivares do feijoeiro de mesa em colaboração com a Seção de Feijão do Instituto Agronômico de Campinas, SP. Na foto vemos a colheita de cultivares do feijoeiro na propriedade de Silvio Cimatti, bairro Barra Grande, Coronel Macedo, década de 1970. Cada saco é de um canteiro do cultivar que depois era pesado separadamente para avaliação de produtividade e equalizado na umidade de 15%.

Curso de Piscicultura - década de 1980


Curso de piscicultura promovido pela Casa da Agricultura de Taquarituba em conjunto com a Associação de Pisciculturores de Taquarituba (APITAR) na década de 1980.
Em pé, como instrutor do curso o professor Newton Castagnholi da UNESP de Jaboticabal.