sábado, 7 de novembro de 2009

Aspectos populacionais e a modernização da agricultura em Taquarituba



Tabela I: Dados socioeconômicos do município de Taquarituba (1940-2004)
 Fonte: Sistema Nacional de indicadores urbanos; Cati,SAA.de S.P.2004/5.IBGE,Seade

Verificamos que da década de 1940 para 1950 o crescimento populacional de Taquarituba foi de 0,78% ao ano (Tabela I), baixo em relação ao índice de crescimento populacional do país. Conta-se que nesta época as mortes por febre amarela ou impaludismo eram muito frequentes e isto espantou muito migrante. Em 1950 a densidade populacional era de 16,34 habitantes por quilômetro quadrado e tinha 38% de analfabetos.

Segundo o IBGE , a população rural do Brasil em 1970 era de 41,7% enquanto que a do município era de 51,94%, maior do que no país.

Tabela II: Dados socioeconômicos do município de Taquarituba (1940-2004)



Os dados, portanto, mostram que até 1970 o município era economicamente rural e que somente a partir de 1980 a população urbana passou a ser maior (52,92%), atingindo a percentagem de 84,46% em 2004 com o desenvolvimento do setor de serviços ligados à agricultura, não havendo a industrialização, embora tenha tido êxodo rural.

A taxa de crescimento geométrico da população no Estado no período de 2000 a 2005 foi de 1,56%, da região foi de 1,48% e do município foi de 1,34 %, indicando um crescimento populacional menor que o do Estado e da região.

A taxa de urbanização referente ao período de 2004/5 do Estado de São Paulo foi de 93,65%; na região, de 85,84% e no município de 84,72% (Tabela II).

A participação da agropecuária no total do valor adicionado do município em 2003 foi de 37,38%, sendo que na região foi de 41,39%, e no Estado foi de 7,70% isto indica que o município ainda depende da agropecuária muito mais que o Estado em geral.

Por outro lado, o setor de serviços participava em 2003 com um total adicionado à economia municipal de 51,03%; 41,89% na região e, de 48,51% no Estado, mostrando que o setor terciário da economia taquaritubense desenvolveu-se satisfatoriamente. A industrialização não ocorreu mesmo com a tentativa de provocá-la na década de setenta, no governo de Lourenço Custódio, com a doação de terrenos no Distrito Industrial criado pela Prefeitura Municipal.

Comparando esses dados com os referentes à participação da agropecuária no município pode-se dizer que este depende mais de serviços (setor terciário da economia) ligados à agricultura.

O crescimento da população era de 6,04% e a densidade demográfica de 26,20 habitantes por quilômetro quadrado na década de cinqüenta, cresceu para 49,05 habitantes por Km2 em 2000, e de 77,02 hab. por Km2 em 2005, ocasionado naturalmente pelo crescimento da migração de outros municípios, da diminuição da taxa de mortalidade infantil (SEADE,2000) e a melhoria das condições de vida no município.

A taxa de urbanização que era de 19,10% na década de 1950 passou para 45,50% na década de 1970. O aumento foi 2,38 vezes e a densidade populacional que era de 16,44 habitantes por quilômetro quadrado em 1970 passou para 31,16 por Km2, aumentando em 1,89 vezes o número de habitantes por km2 no município. Descontando a taxa de aumento de população (2,87% anuais), os números mostram que o aumento da população urbana não foi somente devido ao êxodo rural como já vimos, mas foi também decorrente de migração.

Este fenômeno foi observado quando da migração de agricultores que vieram da zona de Campinas( Artur Nogueira, Limeira, Cosmópolis, Mogi-Mirim, Paulínia, etc.) e Piracicaba, para a zona de Taquarituba, na década de sessenta e setenta, para cultivarem algodão(repetição de novo ciclo, semelhante ao de 40/45, só que descentralizado).

A migração da população rural para a cidade, como já mencionamos anteriormente, também foi decorrente da modernização da agricultura caracterizada pela mecanização (ver cursos de Tratoristas 1968/72); pela aplicação de insumos químicos (adubos e corretivos de solos) e pela aplicação de defensivos agrícolas (inseticidas, herbicidas, fungicidas etc); cursos de aplicação de defensivos que possibilitaram a substituição da mão de obra - moradora nos “sítios” e fazendas - por máquinas, equipamentos e insumos modernos, que demandam menor quantidade de mão de obra e menor população no campo.
O que se observou no município a partir dos anos sessenta e setenta foi que a mecanização/tecnificação da agricultura caracterizada pelo uso de defensivos agrícolas, principalmente herbicidas e máquinas modernas realmente concorreu para a liberação e a saída do homem do campo para a cidade aumentando a população urbana, comprovando os estudos de Kageyama(1987).

Taquarituba nos anos setenta/oitenta foi um centro distribuidor de máquinas agrícolas e insumos modernos da agricultura com a instalação de revendas/oficinas de máquinas agrícolas tais como:

• Agências de venda: Masey Fergunson, CBT, Valmet, Jacto, Hatsuta e Ford;

• Firmas e representantes de vendas de defensivos agrícolas: Bayer, Ciba-Geigy, Sandoz, Hokko, Ihara, Cooperativa Central de Campinas, Coreata,etc.


O interesse pelas técnicas modernas e por novas culturas, variedades e novos cultivares (algodão, milho híbridos e oxi (maysena) ervilha para grãos, crotalária para sementes, feijão carioquinha, IAC-Carioca, e Iapar etc.) foi estimulada pela Casa da Agricultura(CATI,S.A.); por propagandas e incentivos das firmas agro-industriais de beneficiamento de algodão- Sanbra (Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro S.A), Latino, Universo e Cooper. Central de Campinas; pelas indústrias de milho-Refinações de Milho Brazil; pelas indústrias de produção de conservas (Steiner-S.Catarina, Etti, e Cica-S.P.); pelas firmas de sementes (Cargil, Agroceres, Pioneer, etc), e por vendedores de insumos modernos que incentivavam o agricultor a plantar mais, ou mudar de atividade empresarial agrícola.

Por outro lado, a pecuária baseada principalmente em suinocultura, importante até 1973, não teve o desenvolvimento como da agricultura, embora os criadores em 1968/78 tenham iniciado uma modernização com a introdução de novas raças de suínos tipo carne(Landrace, Duroc,W.Saddelback, Tatuí-Junqueira) e com renda liquida que não correspondeu às expectativas forçando a desistência de muitos criadores, que tinham iniciado a criação dessas raças.

Além dos incentivos das firmas, os bancos estatais(Banespa S.a. e Banco do Brasil S.A.) e privados(Bradesco e Mercantil) que financiavam a agricultura, interessados em aplicar e incentivar a produção agro-pecuária, contribuíram para o aumento da área plantada e diversificação da produção.

Da década de 1970 para 1980, o crescimento populacional do município, foi normal para uma época em que o Brasil tinha 104 milhões de habitantes em 1980 e um crescimento de 11,3%(do PEA.) na agropecuária.

Houve aumento de renda de 0,46 SM(US$3.51) em 1970 para 1,07 SM(US$3.264) por mês devido a volta da cultura do algodão(ver tabela1) ocasionada pela migração da população rural da região de Campinas, que produzia algodão naquela região, e com renda média de menos da metade do Estado, que foi de 1,14 salários mínimos em 1970, e 2,31 salários mínimos em 1980. O aumento da renda foi ocasionado pela troca de exploração agrícola, que de milho-porco banha, passou para algodão, e no final do decênio para feijão das águas, mais o das secas, ou milho safrinha.

O índice IDH (renda) de Taquarituba em 1970 era de 0,416 e o do Brasil era de 0,415l. Portanto, eram aceitáveis mostrando que a renda da população era bem distribuída. Em 2000 o índice IDH do município “pulou” para 0,745, assemelhando-se ao índice do Brasil, que também sofreu uma piora substancial porque foi de 0,415 para 0,792. Em 2005 o índice “IDH” foi 0,790 no Brasil e 0,501 na Argentina.

Isto indica uma piora substancial na distribuição de renda e de condições da mesma no município e pode ser explicado pelas mudanças na política agrícola nacional que prejudicou os pequenos e médios produtores(que eram e são ainda muito freqüentes em Taquarituba), e que giram a economia do município.


A taxa de analfabetismo era de 29,70% em 1950. A densidade demográfica de 31,16 por Km2 e de 15,10 habitantes por quilômetro quadrado nesse ano, ou melhor de sete mil trezentos e sessenta e nove habitantes passou para 13.964 habitantes, ou seja, 31,16 por quilômetro quadrado no ano de 1970, com um aumento de 16,06%, na densidade populacional.

No ano 2000 a densidade demográfica do município de Taquarituba foi de 49,05 hab./km2, aumentando 33,95% em sessenta anos. A estimativa de 2005, seria uma densidade demográfica de 56,82 habitantes por quilômetro quadrado, aumentando 41,72 pessoas por quilômetro quadrado em sessenta e cinco anos, de 1940 a 2005.

A população da cidade cresceu de 1.407 habitantes para 20.045(+16.638) em 2004 enquanto que a população rural decresceu de 5.962 para 3.704 habitantes incluindo nessa população rural(dados da Prefeitura Municipal) duas pequenas aglomerações que são servidas pelos bens básicos água encanada, esgoto, e energia elétrica: Aleixo com 171 casas, duas ruas principais, quatro transversais e 1.080 habitantes e Barreiro(energia elétrica e parte com água encanada) com oito casas e trinta e dois habitantes com duas ruas laterais e duas transversais, em 2005.

No Brasil em 1990, a água encanada era servida em 73,40% dos domicílios e em 2000, 80,40% dos domicílios nacionais tinham acesso a água encanada e 69,7% da população tinha acesso a rede de esgotos, em 2005.( Prefeitura Municipal,2005).

A água encanada no Brasil em 1990 estava em 73,4% dos domicílios e em Taquarituba estava em 82,2 % dos estabelecimentos e no Brasil em 2000 foi de 80,4% dos estabelecimentos, demonstrando melhora substancial do saneamento básico de Taquarituba, e do Brasil.

A “ONU” ou Organização das Nações Unidas, classificaria os bairros do Aleixo e Barreiro como zona rural pois por definição, “população rural é aquela que não habita área urbana”(KAGEYAMA,1987).

O aumento populacional da cidade nos primeiros anos do século XXI(2000 até 2004) foi incentivado e estimulado pela criação de diversos loteamentos na cidade: Lageado, Vila São Vicente, Parques São Roque, bairros: Sangiácomo, Ouro Branco, João de Barro, Santa Virginia e Novo Centro.

No Brasil em 1988, a população urbana era de 70%(IBGE), calculando-se que a expulsão(êxodo) da população rural no país foi maior a partir da Revolução Verde de 1967 a 1977, devido ao aumento da mecanização e outros ganhos tecnológicos.

Nos Estados Unidos o êxodo rural começou na década de vinte/trinta, principalmente no 1º. pós guerra, enquanto no Brasil aconteceu na década de setenta para oitenta quando 30 milhões de pessoas deixaram os “campos” (de 67 para 87) (KAGEYAMA,1987). No censo de 1980 houve crescimento negativo da população rural no Brasil o que pode ser verificado também em Taquarituba como se pode notar no Gráfico na p. 4 e na p.14. No Brasil a população era de 31,5% nas cidades em 1940 e em 2000 aumentou para 81% (IBGE, 2000).

Referências
KAGEYAMA, Ângela. Alguns efeitos sociais da modernização agrícola em São Paulo. IN: MARTINE &  GARCIA (Coords). Os impactos sociais de modernização agrícola. SP: Caetés, 1987, pp.99-123.

PREFEITURA MUNICIPAL DE TAQUARITUBA. Consulta de dados. 2005


BRASIL. Sistema Nacional de indicadores urbanos. 2005


Cati - Secretaria de Agricultura e Abastecimento de S.P.2004/5


IBGE - Perfil dos municípios brasileiros. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/perfilmunic/default.shtm acesso em 2000.


Seade. Indicadores. Disponível em: http://www.seade.gov.br/ acesso em 2000.


2 comentários:

  1. Muito bom o estudo acima!!! com riqueza de detalhes!!! ótimo

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  2. muito bom o estudo acima!!!! muito rico em detalhes!!! ótimo!!!

    Éder Miano Pereira

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