domingo, 29 de novembro de 2009

Coleta seletiva do lixo em Taquarituba - década de 1980

No ano de 1986, falou-se muito na mídia sobre a contaminação ambiental e o problçema do lixo nas cidades. Uma das soluções apontadas para o problema era a coleta seletiva do lixo. Além de resolver em parte o problema ela poderia promover um aumento de renda para populações de baixa renda. O Rotari Clube, incentivado por mim que na época era engenheiro agrônomo da Casa da Agricultura, junto com Miguel Chibani, gerente da agência local do Banco do Brasil e o presidente do Rotari Clube Sebastião de Campos, entraram em contato com o prefeito municipal dr. Arnon F.de Mello, para colaborar com a coleta seletiva. Ficou acertado que o caminhão de coleta faria a coleta seletiva na cidade uma vez por semana. E a Comissão de saúde e cidadania do Rotari Clube ficaria responsável pelo aluguel dum barracão localizado no bairro do Lageado, saida para Tejupá, a 500m da cidade. Para viabilizar o projeto foram comprados sacos de quatro cores, para selecionar os recicláveis pela população. Durante um mês e meio foi coletado lixo, uma vez por semana, separado em sacos que foram depositados na Chácara. Diversos contatos foram feitos para venda dos recicláveis, sendo o lugar mais viável um ferrovelho de Piracicaba, para onde um caminhão da Prefeitura Municípal de Taquarituba levou os recicláveis.A renda obtida foi distribuída para três instituições de caridade pelo Rotari Clube, sendo elas o Asilo São Vicente, a Casa Paroquial e ao Albergue Noturno.Como tornou-se dificil a coleta seletiva, pois havia pouco caminhões na Prefeitura Municipal, o Projeto de Coleta Seletiva do Lixo de Taquarituba foi desativado pelos promotores e pelas entidades participantes.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Irrigação


Inverno de 1986

Na foto à direita está Paulo Ferreira Soares, José Norival Augusti e Hilton Camargo verificando a irrigação de área cultivada com ervilha e na foto à esquerda está o trabalhador rural que, orientado pelo engenheiro agrônomo, avalia o nível de infestação de oidio, principal doença da ervilha, para rehidratação. Hoje existe variedades tolerantes à esta doença.

As imagens são de cultura de ervilhas para rehidratação(enlatar) plantada na Fazenda Floresta pertencente ao Joaquim Soares, no município de Coronel Macedo.  Foi o segundo ano de plantio da ervilha irrigada no inverno (março/abril e colheita em agosto/setembro) com rendimentos exepcionais (mais de 2.000kg/ha). A semente era originária do Centro Nacional de Pesquisas de Hortaliças de Brasilia.


Plantio de mudas na mata do Eugênio

Plantio de mudas na Mata do Eugênio, 1993 (?)

Demonstração de Resultado do uso de defensivo na década de 1970

Banco do Brasil em Taquarituba, SP


Segundo Miguel Chibani:

O BB em Taquarituba, começou como um PACRU, sigla que significa POSTO AVANÇADO DE CREDITO RURAL.
O primeiro Supervisor do Banco foi  Vladimir Borin Pacheco e mais funcionários entre eles: José Miguel Paixao e José Antonio Duarte.
Em seguida esse local foi denominado de PAVAN - POSTO AVANÇADO DE SERVIÇOS, e o Supervisor era o Walter Lopes da Fonseca e tinha entre os funcionários: Eu, Miguel Chibani Bakr, Roberto dos Santos Montanha e José Carlos de Almeida.
Em seguida passou a ser uma Agência Classe I e um dos primeiros Gerentes que estiveram substituindo foi o Sr. Helio Coradi, que era o Chefe da Carteira Agrícola em Avaré (depois foi nomeado Gerente de Agência em Cerqueira Cesar).

Em seguida veio o José Chioli, o Julio Takahashi, o Shiguetaka Hatshikano, a Sueli Gomes, a Egle Isabel Pampado, a Martha, Nelyse, e eu fui o primeiro fiscal da Agência(mas eu pertencia à Agência de Avaré). Depois fui nomeado Gerente do Expediente e era o responsável pela Carteira Agrícola, foi quando trouxemos o Antonio Carlos dos Reis que era Sub Gerente do Mercantil, veio o Domingos de Giorge, e diversos outros funcionários e essa Agência ganhou  reconhecimento pelo desempenho e pelos valores aplicados no crédito rural. A partir daí foram criadas as empresas de Assistência técnica privadas num trabalho de fortalecimento do Crédito Rural e de expansão de tecnologia através das sementes certificadas da CATI com apoio crediticio à COREATA.  Duas dessas empresas foram a Produza e a Taquariplan respectivamente criadas pelos engenheiros agrônomos Ricardo Ferreira de Oliveira e Hilton Camargo. A Produza foi comprada depois pelo engenheiro agrônomo Paulo de Barros.
 Fui transferido como Gerente para Itapevi na Grande S. Paulo, depois fui para Apiaí no Vale do Ribeira, depois Cotia na Grande S. Paulo, em seguida Piraju, depois Itaí, e pela primeira vez um funcionário volta para a Agência incial como Gerente Geral, o que aconteceu quando voltei para Taquarituba e depois vim para Avaré.

Curiosidades:

  • O primeiro contrato de crédito rural da Agência foi para o sr. Joaquim Pulz, pai do Miguel, Paulo, Joao e Sidney Pulz.
  • A primeira aplicação financeira captada na Agência foi do Joaquim Ortolano de Almeida, conhecido como Joaquim Dias.








Dia de Campo em Taguaí, SP - 2000

"Dia de Campo" de cultura de Sorgo, como diversificação agrícola, promovido em 2000 pela Agroceres e com a participação do Departamento Técnico da Coreata Taquarituba, numa propriedade de Taguaí, onde vários agricultores de Taquarituba,Taguaí e região compareceram para conhecer a cultura. Em pé, de camisa verde está Gutti (engenheiro agrônomo demonstrador da Agroceres)  e José Norival Augusti (ao seu lado, de camisa branca).

Casa Gomes










Fundada em 1902, era uma firma familiar. Na década de 1950 assumiu a gerência Joel Gomes, que era auxiliado pelo Altino, Alipio, José Ozório, além de outros familiares.

Na década de setenta a Casa Gomes era conhecida como a Rainha do Sul paulista, pois tinha filiais em Carlópolis, Fartura, Taguaí, Itapeva, Itararé e Riversul. Vendia desde agulhas a eletrodomésticos, tendo três a quatro vendedores que percorriam a zona rural e as cidades vizinhas. Teve tambem uma filial em Avaré.

A firma na metade da década de setenta, instalou uma antena repetidora de sinais de TV no morro do Barreiro/Aleixo, contratando o técnico Salvatore D. Malagó para sua construção e manutenção. Manteve  a mesma até o final da década de setenta quando a Prefeitura assumiu os repetidores, na época com três canais.

No final da década de noventa, com a morte de vários sócios, a firma fechou e o prédio foi alugado ou vendido para a Igreja Universal.

Casa da Lavoura de Taquarituba

Prédio construido no Plano de Ação do Governo Carvalho Pinto,na Avenida 9 de julho, 259.








Prédio da Casa da Lavoura de Taquarituba(depois Casa da Agricultura, pós Secretário da Agricultura Herbert Levy), construida dentro do Plano de Ação do Governo Carvalho Pinto(Jânio Quadros) e quando foi prefeito Nicanor Camargo.
A Casa da Lavoura(Agricultura) tinha além do prédio principal, com duas salas para os técnicos, uma sala de escriturário, uma sala de reuniões e uma para veterinário/auxiliar; uma garagem para veículos; um depósito de sementes para 2.000 sacas; um depósito para documentos e um pequeno quartinho com chuveiro e sanitários para uso de servidores em trânsito. No início de funcionamento da repartição, 1960, a água era depositada numa caixa de 2.000 litros, ao lado do prédio, e depois bombeada para o depósito do forro do prédio. O depósito externo funcionou até 1964/5 quando a água encanada foi ligada na Avenida 9 de Julho.

Deusa Ceres

 Estátua da Deusa Ceres depois de restaurada pela ESALQ, 2009.  Fotografia de Paulo Soares.
O engenheiro agrônomo José Carlos Rosa, graças a amizade e ao seu trabalho conseguiu em 1960, que a Agência do Bradesco (Banco Brasileiro de Descontos s.a) de Taquarituba doasse uma estátua em bronze, com 55 cm. de altura, da Deusa Ceres (Deusa da Agricultura), simbolizando a fartura de alimentos e a agricultura. O único ganhador por três anos consecutivos do Concurso, nos seus 19 anos de vigência, foi Pedro Bueno Rodrigues (conhecido como "Tino Bueno"). Pequeno produtor do Bairro do Muniz, que bateu o recorde paulista e brasileiro em 1967/68, com produtividade acima de 10.000 ou seja 10.045,80 kg. por hectare, em concurso de produtividade e em lavouras comuns. A Estátua foi doada em 2000 à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiróz de Piracicaba, está na Sala da Diretoria.
Encaminhei a doação para a ESALQ porque ela é um símbolo de projeto de extensão rural de produtividade e para mostrar o pioneirismo do esalqueano engenheiro agrônomo tieteense: José Carlo Rosa.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Carta Aberta ao Povo de Taquarituba - Jânio Quadros (1963)


Cedido por Luis Ferreira Neto

Documento: Nomeação do Capitão Eugênio Gabriel pelo Marechal Hermes da Fonseca



Eugênio Gabriel, influente agricultor do município de Taquarituba foi nomeado Capitão da 1a.ª Companhia do 71º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional, da Comarca de Itaporanga, S.P., em 27 de Maio de 1914 pelo Presidente da Republica general Hermes da Fonseca, pela guia no. 90.549, em diploma datado de 22 de julho de 1914, 26o. da Republica e 93o. da Independência, no Rio de Janeiro, com posse no dia 18 de janeiro de 1915, na presença do Coronel José Brasil Piedade.


Era grande proprietário de sítios, financiava as lavouras de milho, feijão e criação de porcos dos seus arrendatários e vizinhos. Cobrava os financiamentos após a colheita e aqueles que não pagassem os empréstimos recebia terras como forma de pagamento.

sábado, 7 de novembro de 2009

Aspectos populacionais e a modernização da agricultura em Taquarituba



Tabela I: Dados socioeconômicos do município de Taquarituba (1940-2004)
 Fonte: Sistema Nacional de indicadores urbanos; Cati,SAA.de S.P.2004/5.IBGE,Seade

Verificamos que da década de 1940 para 1950 o crescimento populacional de Taquarituba foi de 0,78% ao ano (Tabela I), baixo em relação ao índice de crescimento populacional do país. Conta-se que nesta época as mortes por febre amarela ou impaludismo eram muito frequentes e isto espantou muito migrante. Em 1950 a densidade populacional era de 16,34 habitantes por quilômetro quadrado e tinha 38% de analfabetos.

Segundo o IBGE , a população rural do Brasil em 1970 era de 41,7% enquanto que a do município era de 51,94%, maior do que no país.

Tabela II: Dados socioeconômicos do município de Taquarituba (1940-2004)



Os dados, portanto, mostram que até 1970 o município era economicamente rural e que somente a partir de 1980 a população urbana passou a ser maior (52,92%), atingindo a percentagem de 84,46% em 2004 com o desenvolvimento do setor de serviços ligados à agricultura, não havendo a industrialização, embora tenha tido êxodo rural.

A taxa de crescimento geométrico da população no Estado no período de 2000 a 2005 foi de 1,56%, da região foi de 1,48% e do município foi de 1,34 %, indicando um crescimento populacional menor que o do Estado e da região.

A taxa de urbanização referente ao período de 2004/5 do Estado de São Paulo foi de 93,65%; na região, de 85,84% e no município de 84,72% (Tabela II).

A participação da agropecuária no total do valor adicionado do município em 2003 foi de 37,38%, sendo que na região foi de 41,39%, e no Estado foi de 7,70% isto indica que o município ainda depende da agropecuária muito mais que o Estado em geral.

Por outro lado, o setor de serviços participava em 2003 com um total adicionado à economia municipal de 51,03%; 41,89% na região e, de 48,51% no Estado, mostrando que o setor terciário da economia taquaritubense desenvolveu-se satisfatoriamente. A industrialização não ocorreu mesmo com a tentativa de provocá-la na década de setenta, no governo de Lourenço Custódio, com a doação de terrenos no Distrito Industrial criado pela Prefeitura Municipal.

Comparando esses dados com os referentes à participação da agropecuária no município pode-se dizer que este depende mais de serviços (setor terciário da economia) ligados à agricultura.

O crescimento da população era de 6,04% e a densidade demográfica de 26,20 habitantes por quilômetro quadrado na década de cinqüenta, cresceu para 49,05 habitantes por Km2 em 2000, e de 77,02 hab. por Km2 em 2005, ocasionado naturalmente pelo crescimento da migração de outros municípios, da diminuição da taxa de mortalidade infantil (SEADE,2000) e a melhoria das condições de vida no município.

A taxa de urbanização que era de 19,10% na década de 1950 passou para 45,50% na década de 1970. O aumento foi 2,38 vezes e a densidade populacional que era de 16,44 habitantes por quilômetro quadrado em 1970 passou para 31,16 por Km2, aumentando em 1,89 vezes o número de habitantes por km2 no município. Descontando a taxa de aumento de população (2,87% anuais), os números mostram que o aumento da população urbana não foi somente devido ao êxodo rural como já vimos, mas foi também decorrente de migração.

Este fenômeno foi observado quando da migração de agricultores que vieram da zona de Campinas( Artur Nogueira, Limeira, Cosmópolis, Mogi-Mirim, Paulínia, etc.) e Piracicaba, para a zona de Taquarituba, na década de sessenta e setenta, para cultivarem algodão(repetição de novo ciclo, semelhante ao de 40/45, só que descentralizado).

A migração da população rural para a cidade, como já mencionamos anteriormente, também foi decorrente da modernização da agricultura caracterizada pela mecanização (ver cursos de Tratoristas 1968/72); pela aplicação de insumos químicos (adubos e corretivos de solos) e pela aplicação de defensivos agrícolas (inseticidas, herbicidas, fungicidas etc); cursos de aplicação de defensivos que possibilitaram a substituição da mão de obra - moradora nos “sítios” e fazendas - por máquinas, equipamentos e insumos modernos, que demandam menor quantidade de mão de obra e menor população no campo.
O que se observou no município a partir dos anos sessenta e setenta foi que a mecanização/tecnificação da agricultura caracterizada pelo uso de defensivos agrícolas, principalmente herbicidas e máquinas modernas realmente concorreu para a liberação e a saída do homem do campo para a cidade aumentando a população urbana, comprovando os estudos de Kageyama(1987).

Taquarituba nos anos setenta/oitenta foi um centro distribuidor de máquinas agrícolas e insumos modernos da agricultura com a instalação de revendas/oficinas de máquinas agrícolas tais como:

• Agências de venda: Masey Fergunson, CBT, Valmet, Jacto, Hatsuta e Ford;

• Firmas e representantes de vendas de defensivos agrícolas: Bayer, Ciba-Geigy, Sandoz, Hokko, Ihara, Cooperativa Central de Campinas, Coreata,etc.


O interesse pelas técnicas modernas e por novas culturas, variedades e novos cultivares (algodão, milho híbridos e oxi (maysena) ervilha para grãos, crotalária para sementes, feijão carioquinha, IAC-Carioca, e Iapar etc.) foi estimulada pela Casa da Agricultura(CATI,S.A.); por propagandas e incentivos das firmas agro-industriais de beneficiamento de algodão- Sanbra (Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro S.A), Latino, Universo e Cooper. Central de Campinas; pelas indústrias de milho-Refinações de Milho Brazil; pelas indústrias de produção de conservas (Steiner-S.Catarina, Etti, e Cica-S.P.); pelas firmas de sementes (Cargil, Agroceres, Pioneer, etc), e por vendedores de insumos modernos que incentivavam o agricultor a plantar mais, ou mudar de atividade empresarial agrícola.

Por outro lado, a pecuária baseada principalmente em suinocultura, importante até 1973, não teve o desenvolvimento como da agricultura, embora os criadores em 1968/78 tenham iniciado uma modernização com a introdução de novas raças de suínos tipo carne(Landrace, Duroc,W.Saddelback, Tatuí-Junqueira) e com renda liquida que não correspondeu às expectativas forçando a desistência de muitos criadores, que tinham iniciado a criação dessas raças.

Além dos incentivos das firmas, os bancos estatais(Banespa S.a. e Banco do Brasil S.A.) e privados(Bradesco e Mercantil) que financiavam a agricultura, interessados em aplicar e incentivar a produção agro-pecuária, contribuíram para o aumento da área plantada e diversificação da produção.

Da década de 1970 para 1980, o crescimento populacional do município, foi normal para uma época em que o Brasil tinha 104 milhões de habitantes em 1980 e um crescimento de 11,3%(do PEA.) na agropecuária.

Houve aumento de renda de 0,46 SM(US$3.51) em 1970 para 1,07 SM(US$3.264) por mês devido a volta da cultura do algodão(ver tabela1) ocasionada pela migração da população rural da região de Campinas, que produzia algodão naquela região, e com renda média de menos da metade do Estado, que foi de 1,14 salários mínimos em 1970, e 2,31 salários mínimos em 1980. O aumento da renda foi ocasionado pela troca de exploração agrícola, que de milho-porco banha, passou para algodão, e no final do decênio para feijão das águas, mais o das secas, ou milho safrinha.

O índice IDH (renda) de Taquarituba em 1970 era de 0,416 e o do Brasil era de 0,415l. Portanto, eram aceitáveis mostrando que a renda da população era bem distribuída. Em 2000 o índice IDH do município “pulou” para 0,745, assemelhando-se ao índice do Brasil, que também sofreu uma piora substancial porque foi de 0,415 para 0,792. Em 2005 o índice “IDH” foi 0,790 no Brasil e 0,501 na Argentina.

Isto indica uma piora substancial na distribuição de renda e de condições da mesma no município e pode ser explicado pelas mudanças na política agrícola nacional que prejudicou os pequenos e médios produtores(que eram e são ainda muito freqüentes em Taquarituba), e que giram a economia do município.


A taxa de analfabetismo era de 29,70% em 1950. A densidade demográfica de 31,16 por Km2 e de 15,10 habitantes por quilômetro quadrado nesse ano, ou melhor de sete mil trezentos e sessenta e nove habitantes passou para 13.964 habitantes, ou seja, 31,16 por quilômetro quadrado no ano de 1970, com um aumento de 16,06%, na densidade populacional.

No ano 2000 a densidade demográfica do município de Taquarituba foi de 49,05 hab./km2, aumentando 33,95% em sessenta anos. A estimativa de 2005, seria uma densidade demográfica de 56,82 habitantes por quilômetro quadrado, aumentando 41,72 pessoas por quilômetro quadrado em sessenta e cinco anos, de 1940 a 2005.

A população da cidade cresceu de 1.407 habitantes para 20.045(+16.638) em 2004 enquanto que a população rural decresceu de 5.962 para 3.704 habitantes incluindo nessa população rural(dados da Prefeitura Municipal) duas pequenas aglomerações que são servidas pelos bens básicos água encanada, esgoto, e energia elétrica: Aleixo com 171 casas, duas ruas principais, quatro transversais e 1.080 habitantes e Barreiro(energia elétrica e parte com água encanada) com oito casas e trinta e dois habitantes com duas ruas laterais e duas transversais, em 2005.

No Brasil em 1990, a água encanada era servida em 73,40% dos domicílios e em 2000, 80,40% dos domicílios nacionais tinham acesso a água encanada e 69,7% da população tinha acesso a rede de esgotos, em 2005.( Prefeitura Municipal,2005).

A água encanada no Brasil em 1990 estava em 73,4% dos domicílios e em Taquarituba estava em 82,2 % dos estabelecimentos e no Brasil em 2000 foi de 80,4% dos estabelecimentos, demonstrando melhora substancial do saneamento básico de Taquarituba, e do Brasil.

A “ONU” ou Organização das Nações Unidas, classificaria os bairros do Aleixo e Barreiro como zona rural pois por definição, “população rural é aquela que não habita área urbana”(KAGEYAMA,1987).

O aumento populacional da cidade nos primeiros anos do século XXI(2000 até 2004) foi incentivado e estimulado pela criação de diversos loteamentos na cidade: Lageado, Vila São Vicente, Parques São Roque, bairros: Sangiácomo, Ouro Branco, João de Barro, Santa Virginia e Novo Centro.

No Brasil em 1988, a população urbana era de 70%(IBGE), calculando-se que a expulsão(êxodo) da população rural no país foi maior a partir da Revolução Verde de 1967 a 1977, devido ao aumento da mecanização e outros ganhos tecnológicos.

Nos Estados Unidos o êxodo rural começou na década de vinte/trinta, principalmente no 1º. pós guerra, enquanto no Brasil aconteceu na década de setenta para oitenta quando 30 milhões de pessoas deixaram os “campos” (de 67 para 87) (KAGEYAMA,1987). No censo de 1980 houve crescimento negativo da população rural no Brasil o que pode ser verificado também em Taquarituba como se pode notar no Gráfico na p. 4 e na p.14. No Brasil a população era de 31,5% nas cidades em 1940 e em 2000 aumentou para 81% (IBGE, 2000).

Referências
KAGEYAMA, Ângela. Alguns efeitos sociais da modernização agrícola em São Paulo. IN: MARTINE &  GARCIA (Coords). Os impactos sociais de modernização agrícola. SP: Caetés, 1987, pp.99-123.

PREFEITURA MUNICIPAL DE TAQUARITUBA. Consulta de dados. 2005


BRASIL. Sistema Nacional de indicadores urbanos. 2005


Cati - Secretaria de Agricultura e Abastecimento de S.P.2004/5


IBGE - Perfil dos municípios brasileiros. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/perfilmunic/default.shtm acesso em 2000.


Seade. Indicadores. Disponível em: http://www.seade.gov.br/ acesso em 2000.


Aspectos populacionais do município de Taquarituba entre as décadas de 1940 a 2000


Clique na tabela para ampliá-la.


A inversão quase que proporcional da relação entre as populações rural e urbana no período de 1940-2004 mostrada na tabela "Indicadores populacionais (urbano e rural) de Taquarituba(1940-2005)", não foi provavelmente pela procura por empregos na zona urbana, nem foi a procura por melhores condições de vida como luz, água encanada diversão (cinema e TV), nem como decorrência de estradas rurais ruins, mas como resultado da modernização da produção agrícola que liberou a mão de obra por não mais necessitar delas nas propriedades rurais.


A venda de máquinas, insumos e equipamentos nestes anos, que pode ser provado pelo aumento de filiais e firmas da cidade na época, demonstraram que a modernização da agricultura e serviços se efetivou nesses períodos de migração populacional.

Em 1950, no Brasil, 53% da população viviam na zona rural enquanto em Taquarituba o índice era de 89,90%. Portanto, isso demonstra que o município nessa época dependia do setor primário da economia.


Entre as décadas de 1950 e 1960 ocorreu a retificação e o asfaltamento da rodovia Raposo Tavares (inaugurada em 1952); a construção da represa de Jurumirim (entre 1963/64) pela Uselpa ; controle do inseto vetor (Aedes aegypti)da febre amarela e do vetor e do percevejo causador da doença de Chagas (Trypanosoma cruzi L.) pelos Serviços Federal/Estadual de controle de endemias rurais de controle dessas doenças, nesta época e pelo Serviço de Controle das Endemias Rurais(febre amarela e Chagas)dos serviços oficiais e combate as mesmas, que em pouco tempo desapareceram da região, embora alguns dos vetores ainda tenham sido encontrados, nos últimos anos, sem transmitir as doenças.

Cabe ressaltar que a migração de agricultores para o “desbravamento”, ou seja, a derrubada de mato e “queimada” dessas terras para uso agrícola, onde se localiza o município foram motivadas entre 1950 e 1960, pela boa qualidade dos solos(especialmente a terra roxa) fundamentais à agricultura, de baixo custo, para a produção agropecuária.

Nos últimos cinqüenta e quatro anos ou em cinco décadas a relação de moradores da zona urbana e rural se inverteu, ou seja, de 80,91% na zona rural em 1950 passou para 83,34% na zona urbana .

A taxa de crescimento elevada para a década de cinqüenta foi ocasionada principalmente pela atração de terras novas, férteis, e pelos primeiros plantios do algodão, que tinham alta produtividade(1940/45),de 220/250 arrobas por hectare, o que trouxe riqueza para a região e para o município, embora na época as estradas fossem ruins e precárias. A produção de algodão em pluma sofria a primeira industrialização em Avaré, que mantinha três máquinas de beneficiamento e em Itapetininga que tinha mais duas máquinas centralizando também as compras do produto de outros municípios da região como Piraju, Itaí, Paranapanema, Taquarituba, etc.

A reconstrução e a retificação do traçado da rodovia Raposo Tavares, que foi asfaltada em 1952, cortou a parte norte de Itaí, vizinho a oeste de Taquarituba, melhorando em parte as estradas da região. Isto possibilitou a migração e aumento da população, além de facilitar o transporte, aumentar a concorrência, melhorando os preços dos produtos agro-pecuários, além do algodão, milho e porcos, produtos agro-pecuários principais na época.