quarta-feira, 1 de julho de 2009

Análise dos dados socieconômicos do município de Taquarituba - Parte B





Taquarituba teve desde o início do século dezenove, como já mencionamos em outro momento, um mestre escola. Mesmo assim ainda no final do século XX, segundo o Censo do IBGE para o ano 2000, boa parte da população do município era analfabeta, pois o índice de analfabetismo era semelhante à média da região que era de 12,54% contra 12,10% do município, embora menor que alguns deles, como Coronel Macedo e Itaporanga, e maior que os de Itararé de 9,2% e de Itaberá de 11,0%, mas de pouca significância estatística (ver Tabela 3). No Brasil em 2000 a taxa de analfabetismo foi de 13,6%.
O índice de analfabetismo do município e da região sempre foi e se manteve nesse nível também devido às correntes migratórias de e para outros municípios da região como um todo. Esse fenômeno aconteceu em todos os municípios de São Paulo, principalmente aqueles que receberam migrações de outras regiões menos desenvolvidas.
As taxas de analfabetismo do município só melhoraram após a implementação de políticas públicas municipais e estaduais que ocorreram a partir dos anos sessenta. Mas o município ainda tem um alto índice de analfabetismo (12,1%), pois o índice aceitável é de 5% ou menos. Esse índice é maior que Itararé (9,2%) e Itaberá(11,0%) que são municípios da mesma micro região (IBGE, 2000).
A comparação com os outros municípios da região geográfica por divisão administrativa e com outras vizinhas não pode ser feita e analisada sem esquecer que os outros têm situação econômica e social semelhantes, mas não igual.
Por exemplo, a taxa de analfabetismo da região em 2005 era de 10,2% e segundo o IBGE a estimativa de população para o mesmo ano era de 24.140 habitantes assim como o índice Gini[1] do Brasil era 0,570, segundo o IBGE e 0,660 segundo o SEADE. Em 2005, o índice Gini de Taquarituba era de 0,745, isto é, maior que a média do Brasil por ser uma economia agrícola e paradoxalmente com alto grau de distribuição de terras, mas com produtos agrícolas de baixo valor agregado(milho, feijão).[2] Esse índice é um indicativo da distribuição de renda da população. Quanto maior o índice maior a desigualdade social.
Comparando os dados populacionais do município verifica-se que a população de Taquarituba com 25 anos ou mais com oito anos de estudo em 2000 aumentou 78,75%; na região aumentou 71,28% e a população do Estado aumentou 55,58%. Portanto, o aumento no município foi maior que o estado, talvez por ser uma região “nova”, com terras férteis e de baixo custo relativo.
O aumento de renda e melhores condições de vida do município sempre ocorreram pela mudança no tipo de exploração agro-pecuária, pois a sua geração de renda dependia e depende do que acontece no “campo”.
A mudança da exploração agropecuária (do milho, porco para algodão, feijão e outras)incentivada pelos órgãos oficiais (Casa da Agricultura,DOT-Dextru) e por firmas particulares (Coreata, Masey Ferguson, Valmet, CBT, Bayer, Sandoz, Ciba-Geygi, Novartis, Agroceres, Pioneer, Monsanto e por suas sucessoras)podem e devem ter influenciado a mudança de culturas e criações, modificando as relações de trabalho e de produção no município e região.

No próximo post pretendo apresentar mais dados e análises que demonstram que o desenvolvimento humano e econômico está ligado à economia agrícola do município e da região.


Notas
[1] O índice Gini foi criado pela ONU-FAO para mostrar a desigualdade na distribuição de renda dos indivíduos segundo a renda domiciliar “per capita”.Seu valor varia de 0 a 1, sendo zero a igualdade absoluta e 1(um) a desigualdade é total (máxima).Quanto mais próximo de 1, mais desigual é o país.

[2] Dados estatísticos do Estado de São Paulo de 2005: Densidade demográfica 160,70 hab/Km2.; Taxa geometria de crescimento da população: 1,56; Grau de urbanização 93,65%; Taxa de natalidade: 15,50 por 1000 hab.; mortalidade infantil: 13,44 por 1000 vivos. Leitos do SUS em 2.003- 1,97 por 1000 hab. Índice IPRS distribuição riqueza:-52- Índice de responsabilidade social:70- Renda “per capita”: 2,92 salários mínimos. Fonte: IBGE, 2005.

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