sexta-feira, 31 de julho de 2009

Extensão rural: um feliz casamento entre pesquisa e produção rural(1964/2004)





Clique nas imagens da Tabela para visualizar os dados que foram coletados do Relatório dos ensaios, experimentos e levantamentos realizados pela Casa de Agricultura de Taquarituba em parceira com produtores rurais, instituições públicas de pesquisa científica e firmas particulares.


O estudante de agronomia da Escola Nacional de Agronomia (ENA), Joaquim Rodrigues(que formou-se em 1968), pediu ao seu tio Sebastião Lino Rodrigues - proprietário da Fazenda Queimadão em Taquarituba - para instalar um campo de Observação de variedades ou cultivares de milho que existiam no Brasil em colaboração com o seu professor de Fitotecnia no ano agrícola 1964/65.
O experimento serviu de base e início de trabalho de melhoramento de milho do Rio de Janeiro e um dos primeiros em âmbito nacional. Outros ensaios e experimentos foram realizados, naqueles anos e em anos anteriores, mas não há registros dos mesmos em Taquarituba. Foram montados e colhidos pelos engenheiros agrônomos: José Carlos Rosa, Galileu Lorandi, Jesus Repilla e Oswaldo Castelucci.
Graças a amizade do Dr. Nelson Pavan com pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas, foi estudado montar o primeiro trabalho cooperativo com a pesquisa e experimentação agronômica na cultura do feijão de mesa em Taquarituba. Este primeiro trabalho começou em 1966, na época das águas, que inicia-se em Setembro(colhia-se em Dezembro-Janeiro) com a montagem de um Campo Experimental de variedades ou cultivares como diziam os responsáveis pelo mesmo dr. Antônio Sidney Pompeu e seu colega dr. Eduardo Bulizani, pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas, orientados pelo dr. Shiro Myasaka, chefe da Secção de Feijão do IAC de Campinas.
Foi sugerido aos dois pesquisadores que montassem um campo de experimentação na Fazenda Santa Margarida de Antônio Fedatto e Valentim Righeto, pois ficava nas margens da rodovia com fácil acesso à Taquarituba e ao experimento.
E assim foi feito, com a colaboração do proprietário Fedatto(sócio de Valentim Righeto) e seu irmão, minha esposa Maria Joanna e empregados montamos o experimento de feijoeiro, segundo o modelo experimental com 6 repetições, em solo latossol roxo estruturado(Lte). Os pesquisadores do Instituto Agronômico de Campinas mandavam para a Casa da Lavoura as sementes e o “auto de campo” para plantio e controle do experimento até a colheita e os seus resultados (sementes) eram encaminhados à Campinas.
No ano seguinte repetimos o experimento na mesma propriedade, ainda com quinze cultivares e variedades, em seis repetições. E no ano agrícola 1968/69 e 1969/70 foram instalados os experimentos das águas na Fazenda Serrinha de Tokuo Takeda e suas produções remetidas ao Instituto de Campinas para pesagem e equalização de umidade, como nos anos anteriores.
Em 1969/70 na época das águas(setembro) foi plantado na Fazenda Cerrado de Nelson Pavan e outros um Campo de Demonstração-Observação em setembro de 1969/70 safras das águas com plantio com alta densidade de feijoeiro a pedido do Gabinete do Secretário da Agricultura, dr. Antônio Rodrigues. Este Campo de Demonstração de População (stand) procurava demonstrar que a produtividade do feijoeiro dependia do “stand” de plantio, mas não foi colhido pois choveu demais na colheita impedindo a colheita em dezembro. Perdeu-se então o Campo devido ao clima desfavorável.
Em 1966 e 1967, devido a reivindicações de produtores e de políticos, o Gabinete do Secretário da Agricultura determinou a realização de pesquisa de Campo sobre o Custo de produção do Milho, pelo Instituto de Economia Agrícola de São Paulo, para reivindicar preço mínimo,(que estava em inicio de implantação), maior para o cereal. O levantamento de custo foi feito por três engenheiros agrônomos em vinte propriedades estratificadas por área, que tinham várias tecnologias e produtividades.
No ano agrícola 1969/70 instalamos campo de experimentação na Fazenda Santa Rosa dos irmãos Aoki em Coronel Macedo, município vizinho de Taquarituba, pois prestávamos assistência técnica agrícola já com novas variedades e cultivares inclusive um feijão manchado de marrom, que chamaria Carioca devido a semelhança com as manchas da pele do porco “carioca”. Estes experimentos foram montados na Fazenda Santa Rosa dos Irmãos Aoki, que montavam, capinavam, controlavam pragas em início de infestação e algumas doenças sem ônus algum para o estado como todos os outros experimentos aqui mencionados. Em 1970/71 foi montado um experimento de variedades na fazenda Rosa dos Aokis, para verificar resistência às doenças de fungo e mosaicos e em 1971/72 foi montado um experimento de herbicidas (treflan PPI, Planavin PPI em pó molhável e Eptan (Pós Emergência).
Neste ano descobriu-se que a Clorofenamidina (Fundex e Galecron) controlava os ovos e larvas das lagartas rosada das maçãs e outras, além dos ácaros para o qual eram recomendados e registrados.
Em 1973/74 e 1975/6 foram montados experimentos de controle de pragas do algodoeiro, ácaros e lagartas, em colaboração com o Instituto Biológico de São Paulo,. no bairro dos Campos(família Pulz/Antonio Paulo) e na Barra Grande de Coronel Macedo no sítio dos Andos.
Em 1974/75 ano agrícola devido ao pedido de cotonicultores do município foi feito um levantamento de custo de produção, em conjunto com o Instituto de Economia Agrícola de São Paulo, em população sorteada e estratificada com diversas tecnologias.
Foi montado em 1978/79 um Campo de Experimento Nacional de Variedades de Algodoeiro em colaboração com o Instituto Agronômico de Campinas, seção de Algodão, por mim (engenheiro agrônomo da Casa da Agricultura) com a colaboração do agricultor Felix Rodrigues de Almeida, que recebeu as sementes e o auto de campo para instalar o campo experimental. Este campo experimental foi montado conjuntamente por mim e o auxiliar Antonio Luis de Paula. A colheita e as pesagens posteriores, já com a umidade determinada na Sociedade Algodoeira do Nordeste brasileiro(Sanbra) e foram remetidas à Secção de Algodão(Fibras) do Agronômico.
Nesse ano a Pirai Sementes de Piracicaba (subsidiária da Souza Cruz, produtora de sementes de crotalária) a pedido da Casa da Agricultura, instalou campos de produção para que o município tiesse uma cultura em época intermediária(março-julho) e o ataque intenso de mosaico dourado(MDF) do feijoeiro. Isto incentivou a firma a fazer cinco contratos de produção de sementes nos municípios de Taquarituba e Coronel Macedo. As secas acontecidas no período fizeram com que os campos de produção tivessem baixa produtividade de sementes, o que desestimulou os plantios da crotalária em anos posteriores.
Em 1979/80, foi determinado o custo de produção do feijoeiro pela Casa de agricultura de Taquarituba em colaboração com o Instituto de Economia Agrícola a partir de levantamento dos custos de produção junto a agricultores de diversos tipos e tecnologias de produção.

O TRIPÉ DAS MUDANÇAS NA AGRICULTURA: PESQUISA-EXPERIMENTAÇÃO-EXTENSÃO RURAL

Foram muitos os agricultores taquaritubenses que colaboraram nos serviços técnicos de Extensão Rural e experimentação em suas propriedades e por esse motivo participaram das mudanças técnicas realizadas na produção agropecuária em Taquarituba. Eles influenciaram a região porque lideraram o processo de desenvolvimento da agricultura e a interação pesquisa, experimentação e extensão rural na agricultura. Entendemos por extensão rural é um método educacional de transferência de técnicas agrícolas ou agropecuárias da pesquisa e experimentação para provocar mudanças socioeconômicas na vida do agricultor. São eles:
Valentim Luis Righeto,  Valentim L.Righeto Jr.(eng. agro.), Antônio Fedatto, dr. Nelson Pavan,  Constante Pavan Jr (eng.agro.), dr Lourival C. Mônaco, Acácio de Oliveira, Acácio Gomes, Adão Gomes (cirurgião dentista)  e José Francisco Gomes, Osvaldo Castelucci (eng.agro.), Afonsinho Castelucci, João A.Pulz, Miguel Pulz, João, Paulo e Sidney Pulz, José Fernandes de Souza, Lauro Garbelotti, João Nunes Sobrinho, Pedro Nunes, Sunichi Nishioka, Adelino Dognani, Itavico Dognani (Prefeito, 2005-2008), Mikio Aoki, Issao Ando, Aguto Nissida, Agostinho Benini, Abel de Almeida, Pedro José de Almeida, Edmundo Mendes, Antônio Fabrocini, Valentim Bosqueiro, Renato Angeli, Breno Mendes e filhos, Luigi Guerra e filhos, Mansueto Soldeira e filhos, Ordalino Zanettoni, Leonildo José de Faveri,  Edson R. R. Miranda (eng.agro.), Venâncio Mendes, Walter Manoel Rodrigues, Ribas Ferreira (ex-prefeito)de Oliveira, Lourenço Custódio (ex-prefeito) e Miderson de Souza Milleo (prefeito), Grupo Ioshida por seu proprietário Ioshumaro Ioshida e seus técnicos: Airton Ariquita, agrônomos Heitor Ariquita, Danilo Venturelli e além de João Gobbo, produtor rural de Taguaí(fundador da Mineração Gobbo de Taguaí) bem como seus filhos  ¨Tico, Caco e Leco”, os lavradores Lauro e Dorival Garbelotti,Tokuo (Chico)Takeda e Fatsuo (Takedão de Itaberá)Takeda, Adão e Eurides Gomes, "Chico" Aoki, Issao Ando, A. Balassoni, Ermelindo Magossi. A lista é extensa e alguns colaboradores podem não terem sido citados e, se alguns não o foram, foi devido a lista de colaboradores com trabalho desenvolvido ser numerosa. Nossas escusas.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Ensaios e experimentos agrícolas da Casa da Agricultura de Taquarituba em cooperação com órgãos de pesquisa científicos e firmas particulares




Clique na imagem para poder visualizar os dados da tabela "Ensaios e experimentos cooperativos realizados pela Casa da Agricultura de Taquarituba, SP, com parceiros diversos"


Ao longo do período que atuei na Casa da Lavoura (atual Casa da Agricultura) de Taquarituba, precisamente entre 1966 a 2001, foram realizados ou montados diversos campos de experimentação, observação e demonstração das culturas importantes para este município.
Esses campos de experimentação, observação e demonstração foram implementados a partir de convênio da Casa da Agricultura com firmas de produtos agrícolas a serem lançados no município e região. Entre os produtos agrícolas lançados relacionamos: clorofenamidina, que tinha o nome comercial de Fundex da Sandoz, Galecron da Ciba-Geygi; monocrotofós(Azodrin da Shell, e Nuvacron da Ciba-Geygi); trifluralina(Treflan da Elanco e trifluralina da Shell) e EPTC(Eptan da Staufer); de cloreto de mepiquat (Pix da Basf)entre outros reguladores de crescimento; desfolhantes(DEF) na cultura de algodão e trifluralina(em PPI) em feijoeiro na década de setenta; uso de fungicidas do grupo dos sistêmicos benonil (Benlate da Du Pont); tiofanato metílico (Cercobin da Hokko); e os não sistêmicos (Manzate da DuPont), dithane, oxicloretos de cobre da Sandoz e as misturas como clorotalonil mais tiofanato metilico ou Cerconil da Hihara no feijoeiro; dos fungicidas a base de cobre e inseticidas sistêmicos para a ferrugem e bicho mineiro do cafeeiro e os herbicidas bentazon (Bazagran, da Basf), Flex, Fusilade, e Poast em feijoeiro, no final dos anos oitenta, início dos noventa.
O desenvolvimento da agricultura e da economia local como um todo, o aumento da produtividade e a melhora de condições de vida das populações rurais dependem da interação da pesquisa-experimentação-extensão. Isto é, é fundamental que as universidades e institutos de pesquisa produzam conhecimentos universais da agricultura técnica e leve-os ao campo através da Extensão Agrícola para tecnificar e melhorar a produtividade agrícola.
Em Taquarituba essa “máxima” da economia agrícola e extensão rural foi comprovada. A Casa da Lavoura desde sua criação em 1950 participou de experimentos e ensaios regionais cooperativos junto aos órgãos de pesquisa, extensão e ensino tais como: ENA, atual UFRRJ(Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), Instituto Agronômico de Campinas(CIA), Centro Nacional de Pesquisa Arroz-feijão (CNPAF), Centro Nacional de Pesquisa em hortaliças (CNPH), Departamento de Orientação Técnica (DOT), Departamento de Extensão Rural (Dextru),Instituto de Economia Agrícola, SP (IEA.SP), Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), Instituto Biológico de São Paulo (IB.SP), Escola de Agronomia Luis de Queiróz (ESALQ),Universidade Estadual de São Paulo (UNESP),Universidade de São Paulo (USP).

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Análise dos dados socieconômicos do município de Taquarituba - Parte B





Taquarituba teve desde o início do século dezenove, como já mencionamos em outro momento, um mestre escola. Mesmo assim ainda no final do século XX, segundo o Censo do IBGE para o ano 2000, boa parte da população do município era analfabeta, pois o índice de analfabetismo era semelhante à média da região que era de 12,54% contra 12,10% do município, embora menor que alguns deles, como Coronel Macedo e Itaporanga, e maior que os de Itararé de 9,2% e de Itaberá de 11,0%, mas de pouca significância estatística (ver Tabela 3). No Brasil em 2000 a taxa de analfabetismo foi de 13,6%.
O índice de analfabetismo do município e da região sempre foi e se manteve nesse nível também devido às correntes migratórias de e para outros municípios da região como um todo. Esse fenômeno aconteceu em todos os municípios de São Paulo, principalmente aqueles que receberam migrações de outras regiões menos desenvolvidas.
As taxas de analfabetismo do município só melhoraram após a implementação de políticas públicas municipais e estaduais que ocorreram a partir dos anos sessenta. Mas o município ainda tem um alto índice de analfabetismo (12,1%), pois o índice aceitável é de 5% ou menos. Esse índice é maior que Itararé (9,2%) e Itaberá(11,0%) que são municípios da mesma micro região (IBGE, 2000).
A comparação com os outros municípios da região geográfica por divisão administrativa e com outras vizinhas não pode ser feita e analisada sem esquecer que os outros têm situação econômica e social semelhantes, mas não igual.
Por exemplo, a taxa de analfabetismo da região em 2005 era de 10,2% e segundo o IBGE a estimativa de população para o mesmo ano era de 24.140 habitantes assim como o índice Gini[1] do Brasil era 0,570, segundo o IBGE e 0,660 segundo o SEADE. Em 2005, o índice Gini de Taquarituba era de 0,745, isto é, maior que a média do Brasil por ser uma economia agrícola e paradoxalmente com alto grau de distribuição de terras, mas com produtos agrícolas de baixo valor agregado(milho, feijão).[2] Esse índice é um indicativo da distribuição de renda da população. Quanto maior o índice maior a desigualdade social.
Comparando os dados populacionais do município verifica-se que a população de Taquarituba com 25 anos ou mais com oito anos de estudo em 2000 aumentou 78,75%; na região aumentou 71,28% e a população do Estado aumentou 55,58%. Portanto, o aumento no município foi maior que o estado, talvez por ser uma região “nova”, com terras férteis e de baixo custo relativo.
O aumento de renda e melhores condições de vida do município sempre ocorreram pela mudança no tipo de exploração agro-pecuária, pois a sua geração de renda dependia e depende do que acontece no “campo”.
A mudança da exploração agropecuária (do milho, porco para algodão, feijão e outras)incentivada pelos órgãos oficiais (Casa da Agricultura,DOT-Dextru) e por firmas particulares (Coreata, Masey Ferguson, Valmet, CBT, Bayer, Sandoz, Ciba-Geygi, Novartis, Agroceres, Pioneer, Monsanto e por suas sucessoras)podem e devem ter influenciado a mudança de culturas e criações, modificando as relações de trabalho e de produção no município e região.

No próximo post pretendo apresentar mais dados e análises que demonstram que o desenvolvimento humano e econômico está ligado à economia agrícola do município e da região.


Notas
[1] O índice Gini foi criado pela ONU-FAO para mostrar a desigualdade na distribuição de renda dos indivíduos segundo a renda domiciliar “per capita”.Seu valor varia de 0 a 1, sendo zero a igualdade absoluta e 1(um) a desigualdade é total (máxima).Quanto mais próximo de 1, mais desigual é o país.

[2] Dados estatísticos do Estado de São Paulo de 2005: Densidade demográfica 160,70 hab/Km2.; Taxa geometria de crescimento da população: 1,56; Grau de urbanização 93,65%; Taxa de natalidade: 15,50 por 1000 hab.; mortalidade infantil: 13,44 por 1000 vivos. Leitos do SUS em 2.003- 1,97 por 1000 hab. Índice IPRS distribuição riqueza:-52- Índice de responsabilidade social:70- Renda “per capita”: 2,92 salários mínimos. Fonte: IBGE, 2005.