sexta-feira, 26 de junho de 2009

Análise dos dados socieconômicos do município de Taquarituba - Parte A


O instituto de pesquisa IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e a Fundação SEADE(Sistema Estadual de Análise de Dados) disponibilizam em seus sites dados estatísticos sobre os municípios brasileiros.
Selecionei e agrupei diversos dados sócio-econômicos referentes ao município de Taquarituba e da região para criar tabelas e gráficos que favorecessem uma análise comparativa de aspectos socioeconômicos do município.
A análise desses dados sócio-econômicos do município de Taquarituba é fundamental para se compreender seu crescimento econômico, a distribuição da terra, a população, as classes de renda, a escolaridade. Além disso, a análise desses dados é importante para o planejamento de ações administrativas futuras.
Diversos parâmetros estatísticos são apresentados para análise comparativa da evolução populacional do município de 1940 a 2004. No ano de 2005 há somente a estimativa de população total que é de 24.140 habitantes. No gráfico acima (Gráfico 1 - Dados populacionais: urbanos, rurais e totais – Taquarituba,SP (1940-2004) nota-se que o aumento da população do município foi notável para um município que depende da agricultura para crescer e se desenvolver e que não foram comuns as migrações como ocorreram em outros locais.
É possível observar também que a população rural foi para a cidade na década de 1970 e pode–se também explicar o aumento populacional na década de sessenta pela migração de outros municípios do estado de São Paulo para Taquarituba.
Essa migração populacional foi evidenciada na década de sessenta pelo aumento populacional de 6,04%, muito acima da taxa média de crescimento 2,16% das sete décadas anteriores, balizando que não foi somente o decréscimo da população rural que concorreu para o aumento da população urbana no município, mas provavelmente esse processo migratório de outros municípios.









sexta-feira, 19 de junho de 2009

Gráfico da população rural e urbana de Taquarituba, SP (1950-2004)

Este gráfico foi criado a partir de dados coletados
no site do IBGE e da Fundação SEADE.



Gráfico da população rural de Taquarituba, SP (1950-2004)


Fonte: IBGE; Secretaria do Planejamento do Estado de São Paulo

quarta-feira, 3 de junho de 2009

As trucadas nos bares de Taquarituba

O jogo de “truco” sempre foi o jogo “caseiro” mais jogado na cidade.
Na década de sessenta-setenta todo “barzinho” tinha um cômodo, geralmente nos fundos, onde seus fregueses divertiam-se jogando partidas nos sábados e domingos. Assados de leitoa e bebidas eram os prêmios dos jogos de truco.
Um lugar muito disputado nos sábados e domingos era o Bar do João Gonçalves (o “Fiico”), que depois também teve um campo de “bocce”. Outro bar disputado para as partidas de truco era o do José Salles, que fazia leitoa e frango assado para as disputas. Um dos maiores jogadores de “truco” foi o Francisco “Chico” Lara, que vencia todas as partidas.
Num sábado ele e mais dois ”companheiros” ganharam o equivalente a uma safra de milho, ”limpando” os bolsos de um pequeno lavrador da cidade vizinha de Itaberá. Na saída “Chico Lara” lhe deu o dinheiro para poder tomar o ônibus e voltar para casa(com testemunho do autor).
Conta-se também que a família que mais gostava de jogar truco era a dos Nunes (João, Pedro, “Juca”, João Batista e outros).

Família Gomes


No município de Taquarituba a família Gomes teve início com o casamento de Ricardina Ferreira Loureiro (irmã do fundador da cidade) com João Gomes. Tiveram os seguintes filhos: Getulio, Ozório, Reinaldo Francisco, Julia e Teresa.

Foi muito importante para o município porque seus membros exerceram e/ou ocuparam cargos políticos públicos, além de serem comerciantes, industriais e proprietários rurais.

Por exemplo, Ozório Ferreira Gomes, casado com Virginia Vaz de Oliveira abriu uma loja em uma construção de madeira, em 1902 (seis anos após a fundação oficial da cidade)na rua Ataliba Leonel 389, dando-lhe o nome de Casa Gomes. Esta loja  foi o embrião de diversas filiais comerciais nos municípios do sudoeste paulista - Fartura, Itapeva, Coronel Macedo, Itaporanga e - norte velho do Paraná, em Carlópolis(Pr).

Já nos anos trinta a firma passou se chamar Gomes e Filhos Ltda, já atuando no setor de armarinhos, confecções e calçados. Nessa época nasceram os filhos Eurides, Laudica, e Joel.

Durante a revolução de 1932, a Casa Gomes foi confiscada pelos gaúchos que tinham invadido S.P., por Itapeva, e a família Gomes abrigou-se na Fazenda Serrinha onde morava o Acácio Gomes, onde ficaram até a saída dos gaúchos

Usando o crédito conseguido anteriormente pelo Gomes, o patrono Ozório Gomes foi à São Paulo reconstituir os estoques da Casa Gomes. Em 1939, foi feita ampliação da Casa Gomes, para 105 metros quadrados, instalada no numero 395 da mesma rua, assumindo a administração da casa os irmãos Ozório, Altino e Alípio, mas continuando como gerente o pai Ozório Gomes. De 1939 até 1943 ou 1944, a firma tornou-se compradora de algodão em caroço para firmas de Avaré-Itapetininga, até as áreas de algodão desaparecerem devido ao ataque do pulgão junto o mosaico comum. Nessa época os vendedores desta firma eram os irmãos Altino, Alípio, Eurides, Joel, Ozório Neto e Moacir.

Em 1975 faleceu Adelino Gomes que deixou sua parte para José Ozório, Antonio Carlos, e Bernadete. Joel Gomes ficou com as partes dos filhos de Adelino e Moacir Gomes e a empresa passou a ser chamada "Gomes e Monteiro Ltda".

Em 1947, Joel Gomes assumiu a gerência da empresa, ampliando as instalações para 350 metros quadrados, passando a se chamar Gomes e Cia. Ltda., tendo como proprietários Adelino, Alípio, Joel e o neto do Ozório, Moacir Gomes.

Foram vendedores da Casa Gomes: José “Capim”, José Garcia, Leandro, Mário, todos taquaritubenses. Eles visitavam os clientes em todo município vendendo produtos das marcas Elgin, Semp, Telefunken, Brastemp, Singer, Frigidaire, Prosdócimo, além de confecções de várias marcas.

Outro membro desta mesma família, Eurides Gomes, criou na década de 1960 uma indústria de torrefação de café chamada “Café Campino” que funcionou até o final da década de 1990 no Distrito Industrial em Taquarituba. Esta indústria fornecia seu produto para toda a região próxima à Taquarituba, inclusive Avaré e norte do Paraná.


Na época do advento da Televisão, na década de 1960,  poucos podiam, em Taquarituba, ter antenas altas e poderosas. Assim Joel Gomes instalou o primeiro repetidor de canais, da região, passando a repetir o Canal 4,Tupi de São Paulo, instalando os equipamentos no morro do Horácio no bairro do Aleixo/Barreiro. A construção ficou a cargo do técnico Salvador Malagó, que contou com o auxílio do prof. Guido Dias de Almeida. Participaram da instalação, além do prof. Guido, Benedito “do alto falante”, José “Capim” e Mário Salles. O retransmissor foi instalado usando a energia levada numa linha construída por 1200 metros, da propriedade de Ernesto Dognani, pela Cia.Santa Cruz ltda.

Em 1993 os filhos de Joel, Luis Carlos e Francisco Carlos, assumiram a empresa e decidiram fechá-la após noventa e um anos de funcionamento num só local, após três gerações dos Gomes.

Os membros da família Gomes também fizeram história na vida cultural da cidade trazendo os artistas nacionais numa época em que as estradas eram difíceis de transitar. Trouxeram arttistas de renome nacional tais como: Angela Maria, Nelson Gonçalves, Luna, Alvarenga e Ranchinho, Francisco Carlos, Salomé Parisio. Além disso, patrocinaram a vinda de diversos técnicos e engenheiros agronômos especialistas em algodão de Campinas e de São Paulo, promovendo concursos de beleza em conjunto com o CRT, campeonatos de futebol e basquete nas escolas.


GENEALOGIA PARCIAL DA FAMÍLIA GOMES

Getúlio Gomes teve os filhos: José Gomes de Camargo, João Gomes de Camargo, Eurico Gomes, Olimpo Gomes, Izolina Gomes de Camargo, Durval Gomes de Camargo, Leonidas Gomes de Camargo, Cacilda Gomes de Camargo, Indalécio Gomes de Camargo, Ercília Gomes de Camargo.

Ozório Gomes teve os filhos: Alípio, João Gomes Neto, Adelino José Carlos, Altino, Eurides, Celuta, Lídia, Haurencia(casada com Ângelo Perroni).

Acácio Gomes casou com Celuta (Luta) Ferreira Loureiro. Tiveram os seguintes filhos: Adão Gomes e José Francisco Gomes.

Reinaldo Francisco Gomes teve os filhos: Joel, Reinaldo, Acácio, Jorge, Eliza, Iza, Helena, João, e Silvia Gomes.

Júlia e Teresa Gomes não se casaram.

Celuta Gomes casou com o serventuário e depois prefeito municipal Antônio da Silva Rodrigues (Ico) e teve os filhos: José Benedito (advogado), Cleonice (professora), Virgilio, Joaquim da Silva(engenheiro agrônomo) e Virginia Silva Mascarenhas de Morais (professora e diretora de escola).


Bastião Pedroso: um contador de causos

Sebastião Pedroso, agricultor do bairro Lageado, era grande conversador e grande contador de causos que nos anos cinqüenta morava em seu sítio no bairro da Estiva na margem esquerda do Rio Taquari. Lá criava porcos pelo sistema extensivo, antigo, soltos e alimentados com milho e mandioca. Chegando um dia ao sítio notou que eles haviam sumido. Procurou-os fora do “cercado”e não os achou. Entrou no “cercado” dos porcos e notou um buraco grande onde ficava um pé de mandioca. Era tão grande que dava para nele entrar.
Penetrou no buraco e viu que o buraco da raiz era enorme e ia longe. Percorreu o buraco e avistou uma luz no fim do túnel-raiz. Saindo do buraco, reconheceu que estava no sítio do seu cunhado no município de Itaí. Todos os seus porcos estavam ali, pois tinham atravessado o túnel pela raiz da mandioca, comendo-as e cavando-o. Eles estavam “cevados” no milharal do seu cunhado, Antônio Bento em Itai. Conta-se que vendeu os porcos na própria propriedade do cunhado.

Banda dos Gomes-Rodrigues

No ano de 1926, a Banda Municipal começou a funcionar e depois foi chamada Banda Gomes.
Ela era liderada por Cecílio Rocha e pelo músico Joaquim Rodrigues “O Mestre" . Participaram dela os músicos: Benedito Rodrigues ( “Xilo”), Adelino Gomes (”Delo”), Eurides Gomes, Ozório Gomes ("Ozórinho”), Vidal Gomes, Jorge Gomes, Aparício Ferraz de Oliveira (”Fróes”), José Luiz de Oliveira ("Zé Luiz”) e Artur Calabres, João "Joanim" Bortoti e João Gomes.
Após a morte do “Mestre”, em 1967, assumiu a liderança o músico Joel Gomes e a Banda passou a ser chamada de Banda Gomes-Rodrigues e praticamente se extinguiu funcionando esporadicamente.

Curiosidades

  • O primeiro ”estafeta”, que ia buscar correspondência em Avaré, foi Antônio Pinto, cobrador do ônibus da empresa de Manoel Rodrigues, e aproveitava as viagens para levar e trazer a mala de correspondência do Correio.
  • O primeiro carro Ford “bigode” a ser comprado em sociedade, com mais três taquaritubenses, foi de Manoel de Campos, que só rodava com tempo seco.

Nego Saiudo e o gatinho sapeca

Eurides de Oliveira era o agricultor do bairro do Pico conhecido de todos pelo apelido de Nego "Saiudo", pois desde criança usava saia de pano de brim branco ou de saco vazios de sementes de milho híbrido da Secretaria da Agricultura(1960/68) que também era branca, só que tinha a logo-marca da Secretaria da Agricultura. Fazia assim propaganda gratuita do milho Hibrido HMD 6999, o mais vendido na época.
O “Nego Saiudo” tocava sanfona ou acordéon nos bailes do município e região. Conta-se que num baile na A. A. Taquariense, quando estava sentado numa cadeira de assento de palha furado, um gatinho o arranhou nas "pernas" e esse fato fez com que acabasse o baile naquela noite. Mesmo assim não deixou de usar a “saia” ou saiote tipo escocês até a sua morte, no final dos anos setenta.

Pharmácia São Roque

José Penna (que depois foi o primeiro prefeito, vindo da cidade de São Pedro) iniciou em 11 de julho de 1911 a venda de remédios na “Pharmácia São Roque”, localizada na praça de mesmo nome. Atendia casos de doenças banais que acometiam doentes de toda a região e do município. Após sua morte, seu filho Josué Penna Sobrinho, conhecido como “Juca Pena”, assumiu a farmácia até sua morte em 1999.