sexta-feira, 29 de maio de 2009

Aspectos históricos da saúde pública de Taquarituba

Voltando no tempo, mais propriamente em 1922, veio de Botucatu o médico Leônidas Peçanha que clinicou por pouco tempo no município, voltando para sua terra, pois não se adaptou a vida da pequena cidade.Nos anos quarenta/cinqüenta[1], muito quinino (remédio que controlava a febre amarela) foi distribuído pelo “Posto de Saúde e Puericultura” da cidade e pela Prefeitura Municipal para os doentes acometidos pela febre. Os mortos eram então levados ao cemitério em redes de dormir, pois não havia caixões de madeira suficientes.Entre 1936 e 1942, foi o médico Dr. Celso “de tal”(desconhecemos seu sobrenome) que assistia os pacientes, tendo consultório particular localizado próximo ao Posto Gomes, na Rua Benjamin Constant.O primeiro médico do Posto de Saúde foi Dr. Jorge Nassar e nas década de cinquenta e sessenta atuavam como serventes nesse posto de saúde Antônio Rolim dos Santos e José Penna e tinha como visitador sanitário Jorge Camargo.
A história da saúde pública em Taquarituba está intimamente ligada a dois médicos pioneiros: dr. Wilson Gonçalves Martins (clínico geral) e dr. Cecílio Jorge Neto (pediatra) que atendiam com grande presteza, inicialmente no “Posto de Saúde e Puericultura”, localizado na Rua Floriano Peixoto 720, próximo à Praça São Roque. Depois, já em 1962, eles passaram a atender em prédio próprio construído no Plano de Ação de Carvalho Pinto, na rua Quintino Bocaiúva 214. Eles tinham como auxiliares Julieta Cimati e Lourdes de Campos e depois Maria Lourdes, de Pirajú.
Além disso, Dr. Wilson Gonçalves Martins atendia os pacientes particulares inicialmente na Rua Ataliba Leonel 336, e o Dr. Cecílio Jorge Neto atendia na Rua Ataliba Leonel, ao lado da padaria do Salake, na Rua Ataliba Leonel 340.Quando as estradas ainda eram precárias, Dr.Wilson G. Martins assistia os pacientes dos sítios e fazendas, indo em “lombo” de cavalo, pois naquele tempo não existiam carros. Foi o segundo proprietário do município a ter um carro, com o qual passou a atender aos doentes em domicílio. Para marcar para sempre seu trabalho benemérito à comunidade, uma rua da cidade ganhou seu nome. Ainda na década de sessenta, o atendimento médico de urgência era precário nos sítios e fazendas devido à falta de estradas intransitáveis. No final dos anos cinqüenta e início dos anos sessenta foram feitas aplicações do defensivo DDT, aplicados pela equipe de visitadores sanitários, para controlar o inseto vetor da febre amarela, o “Aedes aegipty, L”. A “doença de Chagas” (Tripanosoma Cruzi L.), doença que era “vetoriada” pelo “barbeiro” ou percevejo e que era endêmica na região no período de 1962 a 1970. Ressurgiu na década de noventa, exigindo novo controle nas casas, com pulverização de inseticidas.Nessa década e na seguinte foram realizadas as aplicações de BHC (hexacloro ciclo hexano) e DDT contra os insetos, nas casas dos sítios e fazendas, principalmente as de “barrote” (36% das paredes das casas de “barrote, 36% de madeira em 1963) para o controle do percevejo “barbeiro” (Triatoma infestans ou sordida L.),vetor da doença de Chagas. Muito embora fossem os mais eficientes para o controle dos vetores das doenças, sabe-se que não eram inócuos ao homem.
Foi realizada uma campanha pioneira contra verminoses, (1964/65) pela diretoria do Grupo Escolar Julieta Trindade Evangelista, baseada na análise de fezes dos alunos, realizada pelo “Posto de Saúde e Puericultura”, das escolas urbanas e rurais. Por meio dessas análises constatou-se que a verminose atingia a maior parte dos alunos, que possuíam mais de uma espécie de vermes, como a lombriga(ascaris sp.), strongilóides sp.,”oxiurus sp.” e solitárias(tênias spp.).Da década de sessenta a oitenta, o município participou das Campanhas Regionais e nacionais contra a paralisia infantil, tétano, diferia e coqueluche, a tríplice, e a raiva. Todos os funcionários do “Posto de Saúde e Puericultura” participaram de todas as Campanhas de vacinação municipal com a colaboração das escolas rurais da cidade, da Casa da Agricultura, da Prefeitura Municipal e dos clubes de serviço Lions e Rotari. No período de 1966 a 1972, as visitadoras sanitárias Maria de Lourdes de Campos e Maria R. Cimatti vacinaram as crianças das 32 escolas e bairros rurais, aplicando as vacinas de tétano, difteria (crupe) e paralisia infantil (Sabin), numa parceria com o engenheiro agrônomo regional José Norival Augusti da Casa da Lavoura (Agricultura), da Secretaria da Agricultura, e com o apoio do diretor das escolas rurais prof. Plácido da Silva Machado e o chefe do Centro de Saúde local, Dr. Wilson Gonçalves Martins.A “Pharmacia São Roque” de José Penna e a “Pharmacia Madre Thedora” da Joana Calixtro foram as primeiras a atender a população com remédios, além de realizar os primeiros socorros. Depois surgiram as farmácias de Gino Chamorro e a São Benedito, do prático Benedito Santana. O Posto de Saúde e Puericultura, que fazia o atendimento à saúde de adultos e às crianças, foi reformado no início dos anos setenta e novamente em 2005/6. Nesse período, o Posto de Saúde e de Puericultura transformou-se em Unidade Básica de Saúde, localizada na Rua Quintino Bocaiuva 214, sendo, assim, ampliados e readequados ao crescimento da população, assistidos pelo médico Dr. Miderson Z. Milleo.
Antes dos cirurgiões dentistas aparecerem na cidade diversos dentistas práticos atuaram na cidade, entre eles, Nivaldo Zimmerman, em 1948/50, que atendia no bairro Neves de Cima, na propriedade de Agostinho Benini.
Em 1948 chegou à cidade o primeiro dentista formado, Jamil Massud, que, vindo de Araraquara, trabalhou até 1958 na rua XV de Novembro. Em 1960 chegou ao município o prático licenciado Isaias Freitas, que atendia na rua Mal. Deodoro da Fonseca, e depois os cirurgiões dentistas Valter Silva e Adão Ormi Gomes, chegados em 1964. Em 1974, chegaram os cirurgiões dentistas José Francisco Gomes e Leal Gonzaga, o “Gaúcho, que clinicou durante pouco tempo na cidade. Além dele, atuou em Taquarituba Valdoniére Barboza de Oliveira, que permaneceu até 2006. Em 2005, atuavam dezoito dentistas no município, sendo treze deles estabelecidos na cidade. Entre eles: Wanuza M.C.,Martinéli, José Francisco Gomes, Rogério F.Vidal, Eliane L. Gomes Vidal, Fernanda M. Gomes, Manoel A. Campos Jr., Andressa de Souza Neto Milleo Augusti, Soraya de S. N. Milleo, Badaoul Sayon, Lucia Fernandes Cardoso, Maria Cristina Gobbo.
Após a instalação da Sabesp, nos anos oitenta, a água da cidade passou a ser fluoretada, conforme recomendação preventiva das cáries segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). A Sabesp também instalou uma lagoa de decantação e tratamento de esgotos, no final dos anos oitenta, embora a rede de esgoto, que antes era municipal, atendesse mais de noventa por cento dos domicílios da cidade. A Sabesp atende 97,95% da população com água tratada, inclusive o bairro do Aleixo, situado a dez quilômetros da cidade. 100% da coleta do esgoto é tratado em lagoa decantação, e só depois lançado no ribeirão do Lageado, segundo recomendação da saúde pública, relatado pelo Seade, em 2005.Na cidade de Taquarituba, 100% do lixo é coletado conforme programação da Prefeitura. Comparando com o Brasil, que em 2005 tinha 69,7% dos domicílios com esgoto sanitário, 82,3% com água encanada, 85,8% com coleta de lixo e 97,2% tem iluminação pública, pode-se avaliar o nível das condições sanitárias e de saúde pública no município, bem como as condições de vida da população.Em 2004/2005 foi criada uma equipe de visitadores sanitários para o controle da “dengue”, percorrendo as casas e eliminando os focos do vetor (Aedes aegipty L.).Em 2005 o coordenador de serviços da saúde, ligado à municipalidade, era Geraldo Rivera, que administrava três centros de saúde na cidade. Nesse ano, a saúde pública, incluindo-se o Centro de Saúde ou Unidade Básica de Saúde, cuja central localizava-se na Rua Quintino Bocaiuva 214, contava com outras três unidades, funcionando em três bairros da cidade e no bairro rural do Aleixo. Contava com dez médicos, oito técnicos e auxiliares de enfermagem, vinte agentes comunitários, e três dentistas, encarregados do trabalho vigilância sanitária e de saúde pública.
O Posto de Saúde do bairro do Aleixo foi inaugurado em 2001, sendo médico responsável Jardionel Gonçalves, que permaneceu no cargo até 2005. A área da saúde pública conta também com os profissionais do Hospital da Casa de Taquarituba, situado à rua Mal. Floriano Peixoto, 95. Foram investidos R$ 586 milhões em convênios de saúde, R$1.658.635,51 reais do município (17,50%), R$594.906,57 do governo federal, tendo sido realizadas 44.392 consultas no ano de 2003. Em 2005 foram inaugurados, pelo prefeito Itavico Dognani, os prédios da Unidade Básica de Saúde, na rua Quinino Bocaiúva 214, onde se localizava o antigo Centro de Saúde.

[1]Em 2005, 66,2% tem rede coletora de esgotos no Brasil, e no Sul 64,8% tem esse serviço público.

Um comentário:

  1. Meu amigo Norival, deixa a modestia de lado e cita que em 1.987, muito antes que a midia valorizasse a reciclagem, voce começou a implantar e orientar o pessoal sobre a coleta de lixo seletiva. Nessa oportunidade tivemos ajuda do comércio para a compra dos sacos de cores diferenciadas e teriamos a promessa da Prefeitura em fazer a coleta em dias alternados.

    Miguel

    PS - O Valdonier Barbosa, continua atendendo ainda como dentista.

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