segunda-feira, 2 de junho de 2008

O calcário e a mudança de cultura agrícola e de tecnologia

O engenheiro agrônomo responsável pela Casa da Lavoura de Taquarituba, Osvaldo Castelucci, no “Levantamento da Realidade Rural”, realizado em 1963/64, constatou que o município apresentava:
- 27,38% de terra roxa estruturada(Lre);
- 55,62% de terra roxa (Lr);
- 10,06% de podzólicos vermelho amarelo(Pva);
-6,94% de terras para pastagens,
- 10% de litossóis e regosol(Li,Reg)
Além disso, as matas e florestas ainda abrangiam uma área de 42% do município, incluindo nessas áreas as matas ciliares e as de terrenos com alta declividade.
Segundo Castelucci o maior agente de mudanças da agricultura tradicional para a moderna (na década de 60 do século XX) foi o lavrador Silvio de Fáveri. Ele introduziu o algodão, no bairro dos Campos, em terreno corrigido com calcário e produziu 115,7 arrobas por hectare (ou 280 arrobas por alqueire) da variedade IAC-12 que em solos gastos não mais produzia milho. Esta correção foi realizada após a análise e recomendação do Instituto Agronômico de Campinas e encaminhada pela Casa da Lavoura de Taquarituba.
Depois do Silvio de Fáveri veio para Taquarituba o seu irmão Albino de Fáveri, ambos do município de Artur Nogueira, da micro-região de Campinas. Albino Fáveri depois se tornou vendedor de adubos da Solorrico S.A e do calcário de Limeira, possibilitando o plantio da cultura do algodão porque vários dos sítios tinham terra com alto índice de acidez.
O calcário usado para a correção do solo no plantio das lavouras de algodão em Taquarituba vinha de Piracicaba, Limeira e Rio Claro. Ele era esparramado com carroças e jogado com pás nos solos a serem corrigidos. Após a fundação em 1973/74 do Calcário Gobbo de Taguaí, instalado no município vizinho ao norte, a maior parte do calcário ou o total passou a vir da mineradora Gobbo facilitando e tornando a cotonicultura possível. Depois, também, possibilitou a mudança para a cultura do feijoeiro e a diversificação. Mas essa é uma outra história.

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