terça-feira, 17 de junho de 2008

O Banco do Brasil e o desenvolvimento rural de Taquarituba

Em 1972, a agência do Banco do Brasil S. A. de Avaré montou um posto de serviços bancários em Taquarituba a meu pedido, quando eu atuava como engenheiro agrônomo regional da Casa da Agricultura (localizada na Av. Nove de Julho 229). A intenção era possibilitar o início do plantio de algodão no município, pois a cultura exigia mais capital para ser implantada e os bancos que lá atuavam não financiavam pequenos agricultores. Assim, a idéia era possibilitar os financiamentos agrícolas além da cultura tradicional do milho e diversificar a produção agrícola por meio do crédito agropecuário entre os pequenos produtores rurais, que era e são a maioria em Taquarituba. Para tal, a agência do Banco do Brasil de Avaré enviou dois funcionários para atender na Casa de Agricultura os agricultores que precisavam de financiamento agrícola. Eles atenderam apenas por quatro segundas-feiras no mês de julho de 1972 e fizeram 374 fichas bancárias e projetos de financiamento para 318 clientes no valor de Cr$375.000,00 (trezentos e setenta e cinco mil cruzeiros), principalmente para pequenos agricultores que iniciavam o plantio de algodão.
A agência do Banco do Brasil de Avaré, além disso, participou do Plano de Renovação cafeeira em 1963 financiando a erradicação dos cafezais velhos e deficientes e, depois, a partir de 70/71 o plantio planejado de 1.350.000 covas de variedades de café “mundo novo” e “catuai”. Devido a ocorrência de geadas em 1976, financiou o decote ou a recepa e/ou replantio de cafezais em 1977/78/79 de 350.000 covas, parte do parque de café do município.
Em 1978, os funcionários do Banco do Brasil S.A., do Banco Central e da Secretaria do Planejamento do Ministério do Planejamento de Brasília levantaram dados socioeconômicos referentes à Taquarituba na Casa da Agricultura e Prefeitura e, em 1979, foi montado um Posto de Serviços Bancários do Banco do Brasil (que funcionou onde em 2005 situa-se a loja Rolim Imóveis, na Ataliba Leonel, 525/547) ligado a Agência Bancária de Avaré cujo gerente era Rui Ubaldo Ribeiro.
De 1979 a 1981 o gerente do Posto de Serviços do Banco do Brasil em Taquarituba foi Élio Coradi. O movimento bancário e agrícola nesse período foi suficientemente elevado para que a administração desse banco construísse a sede própria na Rua Ataliba Leonel no 856, elevando o Posto de Serviço à Agência. Em 1982, foi inaugurada pelo então gerente Valter Lopes da Fonseca o novo prédio da agência então com nove funcionários.
Nas operações de financiamento agro pecuário o fiscal tem importante papel de estimular o desenvolvimento. Por esse motivo é importante destacar a atuação do primeiro fiscal de operações rurais, Miguel Chibani Bakr, que atuou na área da agricultura em Taquarituba. Ele estimulou e tornou possível a agência bancária numa área de economia essencialmente agrícola.
Em 1983, o segundo gerente José Chiolli teve destacada atuação, colocando a agência entre as três maiores do interior do Estado de São Paulo em financiamentos agro comerciais naquele ano, ganhando uma promoção.
Foram gerentes da agência de Taquarituba: Joaquim Primo de Oliveira, Elysio Vicente, Clóvis Stolni Teixeira, Pedro Donizeti de Oliveira, José Antônio Costa, Mário Antunes dos Santos, Marcos César Cardoso(até 2004). Do final de 2004 até 2006 foi gerente da agência do Banco do Brasil Norival dos Santos Rocha Junior. Em 2006 foi promovido à gerente Miguel Chibani Bakr, que tinha sido fiscal e gerente do setor agrícola desta agência bancária. Esta agência se tornou nesse período uma das cinco maiores do Estado de São Paulo na classificação do setor de agências do interior para financiamento agro comercial.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Interação pesquisa-experimentação-extensão rural em Taquarituba

Ao longo do período que atuei na Casa da Lavoura (atual Casa da Agricultura) de Taquarituba, precisamente entre 1966 a 2001, foram realizados ou montados diversos campos de experimentação, observação e demonstração das culturas importantes para este município.
Esses campos de experimentação, observação e demonstração foram implementados a partir de convênio da Casa da Agricultura com firmas de produtos agrícolas a serem lançados no município e região. Entre os produtos agrícolas lançados relacionamos: clorofenamidina, que tinha o nome comercial de Fundex da Sandoz, Galecron da Ciba-Geygi; monocrotofós(Azodrin da Shell, e Nuvacron da Ciba-Geygi); trifluralina(Treflan da Elanco e trifluralina da Shell) e EPTC(Eptan da Staufer); de cloreto de mepiquat (Pix da Basf)entre outros reguladores de crescimento; desfolhantes(DEF) na cultura de algodão e trifluralina(em PPI) em feijoeiro na década de setenta; uso de fungicidas do grupo dos sistêmicos benonil (Benlate da Du Pont); tiofanato metílico (Cercobin da Hokko); e os não sistêmicos (Manzate da DuPont), dithane, oxicloretos de cobre da Sandoz e as misturas como clorotalonil mais tiofanato metilico ou Cerconil da Hihara no feijoeiro; dos fungicidas a base de cobre e inseticidas sistêmicos para a ferrugem e bicho mineiro do cafeeiro e os herbicidas bentazon (Bazagran, da Basf), Flex, Fusilade, e Poast em feijoeiro, no final dos anos oitenta, início dos noventa.
O desenvolvimento da agricultura e da economia local como um todo, o aumento da produtividade e a melhora de condições de vida das populações rurais dependem da interação da pesquisa-experimentação-extensão. Isto é, é fundamental que as universidades e institutos de pesquisa produzam conhecimentos universais da agricultura técnica e leve-os ao campo através da Extensão Agrícola para tecnificar e melhorar a produtividade agrícola.
Em Taquarituba essa “máxima” da economia agrícola e extensão rural foi comprovada. A Casa da Lavoura desde sua criação em 1950 participou de experimentos e ensaios regionais cooperativos junto aos órgãos de pesquisa, extensão e ensino tais como: ENA, atual UFRRJ(Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), Instituto Agronômico de Campinas(CIA), Centro Nacional de Pesquisa Arroz-feijão (CNPAF), Centro Nacional de Pesquisa em hortaliças (CNPH), Departamento de Orientação Técnica (DOT), Departamento de Extensão Rural (Dextru),Instituto de Economia Agrícola, SP (IEA.SP), Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), Instituto Biológico de São Paulo (IB.SP), Escola de Agronomia Luis de Queiróz (ESALQ),Universidade Estadual de São Paulo (UNESP),Universidade de São Paulo (USP).

segunda-feira, 2 de junho de 2008

O calcário e a mudança de cultura agrícola e de tecnologia

O engenheiro agrônomo responsável pela Casa da Lavoura de Taquarituba, Osvaldo Castelucci, no “Levantamento da Realidade Rural”, realizado em 1963/64, constatou que o município apresentava:
- 27,38% de terra roxa estruturada(Lre);
- 55,62% de terra roxa (Lr);
- 10,06% de podzólicos vermelho amarelo(Pva);
-6,94% de terras para pastagens,
- 10% de litossóis e regosol(Li,Reg)
Além disso, as matas e florestas ainda abrangiam uma área de 42% do município, incluindo nessas áreas as matas ciliares e as de terrenos com alta declividade.
Segundo Castelucci o maior agente de mudanças da agricultura tradicional para a moderna (na década de 60 do século XX) foi o lavrador Silvio de Fáveri. Ele introduziu o algodão, no bairro dos Campos, em terreno corrigido com calcário e produziu 115,7 arrobas por hectare (ou 280 arrobas por alqueire) da variedade IAC-12 que em solos gastos não mais produzia milho. Esta correção foi realizada após a análise e recomendação do Instituto Agronômico de Campinas e encaminhada pela Casa da Lavoura de Taquarituba.
Depois do Silvio de Fáveri veio para Taquarituba o seu irmão Albino de Fáveri, ambos do município de Artur Nogueira, da micro-região de Campinas. Albino Fáveri depois se tornou vendedor de adubos da Solorrico S.A e do calcário de Limeira, possibilitando o plantio da cultura do algodão porque vários dos sítios tinham terra com alto índice de acidez.
O calcário usado para a correção do solo no plantio das lavouras de algodão em Taquarituba vinha de Piracicaba, Limeira e Rio Claro. Ele era esparramado com carroças e jogado com pás nos solos a serem corrigidos. Após a fundação em 1973/74 do Calcário Gobbo de Taguaí, instalado no município vizinho ao norte, a maior parte do calcário ou o total passou a vir da mineradora Gobbo facilitando e tornando a cotonicultura possível. Depois, também, possibilitou a mudança para a cultura do feijoeiro e a diversificação. Mas essa é uma outra história.