quinta-feira, 15 de maio de 2008

Memórias de Castelucci sobre a realidade rural taquaritubense


O engenheiro agrônomo Osvaldo Castelucci, na época responsável pela Casa de Agricultura, realizou no ano agrícola 1963-64 o primeiro levantamento da “Realidade Rural” do município de Taquarituba. O questionário para a realização desse levantamento de informações sobre a realidade rural paulista foi elaborado pelo Dr. Salomon Schatan, funcionário do Instituto de Economia Agrícola de São Paulo.
Segundo dados extraídos desse levantamento, dentre as culturas plantadas, 33% era milho, 10% outras culturas, 10% eram pastagens e 57% de mata e terras inaproveitáveis. Além disso, pelo levantamento ele constatou que os 36% dos agricultores moravam em casas de barrote ou "pau a pique", 35% em casas de taboas e 29% em casas de alvenaria e somente cinco por cento(5%)das propriedades rurais da parte norte do município tinham eletricidade. Ficou demonstrado que nessa época havia um baixo nível de moradia na zona rural e, portanto, baixo rendimento econômico da cultura do milho e respectiva baixa renda dos agricultores.


Levantamento aerofotogramétrico


Castelucci me contou que entre 1962/63 foi efetuada a cobertura aerofotogramétrica do Estado de São Paulo pela Vasp Aerofotogramétrica. Isso possibilitava a quem tivesse interesse fazer o planejamento agrícola por ter acesso a informações sobre os recursos naturais das áreas e das culturas do município.


Efeito demonstração


Osvaldo Castelucci, em 1962, usou o calcário para corrigir parte do solo ácido em sua propriedade (a Fazenda Matão) e teve boa produtividade em milho. O produtor rural Eurico Gomes, morador numa fazenda vizinha de sua propriedade, foi motivado a usar a calagem após ver o bom resultado em área degradada da fazenda Matão.
Eurico Gomes foi um dos primeiros agricultores no município a usar o calcário devido ao "efeito demonstração", um marco na mudança da agricultura do município.
Lembra ainda que Eurico Gomes, foi o primeiro produtor rural a procurá-lo para a correção do solo massapé(podzólico) erodido em 1962/63, que produzia pouco milho hibrido ou praticamente nada (6,2 sacas por hectare) na Fazenda Serrinha.
Após análise e correção do solo com a calagem recomendada pela Casa da Lavoura, pelo eng. agro. Osvaldo Castelucci baseado na tabela do Instituto Agronômico de Campinas, com calcário dolomítico(com cálcio e magnésio), adquirido em Limeira-Piracicaba produziu no primeiro ano 8,26 sacas por hectare ou 20 sacas por alqueire; no segundo ano produziu 24,74 sacas/há e, no terceiro ano, após duas correções de calcário, 41,32 por há. ou 100 sacas por alqueire de milho. A produção impressionou ("mexeu") com os agricultores do município e o agricultor contava para todos na cidade, principalmente no Bar do "Fiico" e do "Mané Alher", onde se reuniam os agricultores seus amigos, para conversar e beber.

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